Opostos.

April 22, 2006

Penso em minha criação e em como sou/estou no presente momento. O choque entre as duas situações não poderia ser maior.

Na primeira, evangélico/cristã, fui treinado a entender tudo de modo compartimentalizado, a não fazer sequer uma livre associação de idéias.

Na segunda, quebrei as regras da primeira e tenho me divertido sobremaneira com isso.

Ler ajuda um bocado.

Tendo a querer, ainda, manter dois mundos separados: o dos livros e o real (e feio) que me cerca.

Gosto de pensar que não sou muito bem-sucedido nessa tarefa ingrata.

Escolhi o labirinto como meu símbolo atual por causa de sua complexidade, não de modo aleatório.

Há muitos caminhos a percorrer e não os temo.

Não mais.

Borboleta.

April 14, 2006

Das muitas lições que aprendi lendo Mamet, K.I.S.S.é, sem dúvida, a mais importante.

Literalmente: Keep It Simple Stupid.

Nos últimos meses estive duelando com uma idéia pra narrativa gráfica que não decolava de jeito nenhum. Pensei em fazer com 48 páginas, 12, 24 e outras variações quantitativas. Depois pensei em atacar o tema que queria abordar em várias narrativas curtas de 5 páginas cada (não abandonei completamente esta idéia, não esgotei o tema).

Pra continuar mantendo tudo simples, decidi encerrar a narrativa que teve tantas e tantas páginas planejadas com 7.

Foi o que deu pra fazer com o que eu tinha e com quem eu tinha.

Fiquei satisfeito.

Espero ter imagens disso em breve.

Círculos.

April 6, 2006

Tentando manter a mente fora do corpo funcionando já que o cérebro não anda em bom estado.

Pra isso, é claro, necessário estender os tentáculos pra noosfera e ver quem a gente pode acessar. A noosfera nesses dias responde também pela alcunha de internet. As pessoas que tento acessar são meus amigos.

Pra fechar o círculo, só mesmo pensando que o instrumento de comunicação utilizado nesses casos é a língua escrita. Um artifício tão sério quanto o labirinto e cujo centro só comecei a divisar depois dos 30.

Agora, é claro, talvez esteja me preparando pra começar a me gabar e dizer que o alcancei. A mente fervilha com energia renovada.

Tenho lido algumas coisas que gostaria de mencionar, mas não vou porque se trata de material pra uma crítica mais séria, a ser feita com mais vagar, mais tempo do que o que tenho agora.

Além disso, estabeleci um compromisso com a pesquisa dos temas que quero explorar e preciso encerrar mais cedo.

Estados.

April 5, 2006

O passado não existe a não ser como uma sucessão de estados mentais do presente.

Tente aplicar essa idéia no seguinte contexto:

O homem é a medida de todas as coisas.

O dado curioso que surge daí tem a ver com muito do que é dito por K.Wilber em seus muitos livros sobre a dinâmica em espiral, ou os vários estágios mentais freqüentados pela humanidade através dos séculos ou dentro de uma vida…

Minha tese de que vivemos, simultaneamente, em universos tão numerosos quanto as possibilidades de percepção existentes ganha força e, quase, me sinto tentado a atacar a coisa toda como tema de alguma tese a ser defendida no futuro próximo.

O Minotauro não enxerga o mundo do mesmo jeito que Teseu. Assim como eu não o enxergo como meus alunos. São experiências diversas que, ‘as vezes, partilhamos com o uso do artifício linguagem.

Os livros são tão bons quanto os leitores que ele alcança. O público leitor de Paulo Coelho, por exemplo, tem uma visão de mundo bem diferente de quem lê jornal numa base diária.

Mas o que quero dizer sobre os livros, mesmo, é que são o artifício do artifício. Numa seqüência lógica, a linguagem empregada pra produzir ilusão. Isso é fascinante.

Fica mais fascinante ainda dependendo de quem maneja o artifício e produz o artefato.

Mito.

April 3, 2006

A expressão "por um fio" adquire um significado totalmente novo se pensada no contexto do labirinto.

Teseu, escapou, afinal, "por um fio".

A jornada do herói, neste caso, se conclui com a resolução do dilema "que direção devo tomar?" encarnada na também mítica figura de Ariadne.

O labirinto, para Teseu, é uma jornada iniciatória.

Para nosotros, mortais comuns, não semideuses, o que será?

Uma mandala, um fractal ou qualquer outra opção em que se possa pensar?

Pois pensar é o que tenho feito sem descanso. O labirinto que percorro sem cessar é o da linguagem, este outro artifício que nos une e mantém ‘a parte simultaneamente.

Se não for pedir muito, tente me acompanhar por esta bifurcação mais arejada e iluminada em que me encontro:

A linguagem, particularmente escrita e/ou falada, me fascina por não ser natural no homem. Nascemos não com aparelho fonador. Não. O que temos é uma adaptação dos naturais e necessários aparelhos digestivo e respiratório.

Expulsar ar dos pulmões dando-lhe forma através das pregas vocais, língua, dentes e boca não é natural.

Nossa sociedade é fundada em um artifício.

Não haveria comunidade sem comunicação, sem que tornássemos comuns nossas preocupações. Estaríamos presos e limitados a um estado egoísta de espírito que seria o natural.

Pense em todas as coisas que a linguagem lhe deu que você não teria de outra forma…

É a saída do labirinto ou algo diferente?

Etimologia.

April 2, 2006

Diretamente do Caldas Aulete, para você:

(la.bi.rin.to) sm. 1 Lugar com muitas divisões e passagens interligadas, onde é possível se perder ou não encontrar a saída. 2 Fig. Grande confusão, complicação; EMARANHADO: um labirinto de problemas. 3 Anat. Conjunto de cavidades que formam a orelha interna.

A idéia é, desta vez, tentar acertar com maior freqüência do que errar. Como salvaguarda, escolhi este nome pro blog, já que minha tendência inerente é insistir na segunda alternativa.

Se tudo funcionar como imagino, devo usar todas as categorias que criei, ainda sem definição específica, porque quero manter tudo simples (aprendi a regra K.I.S.S. lendo Mamet); se acontecer como quero, evitarei links porque, pra dizer a verdade, quero ser disperso somente no blog e não quero que o leitor divida sua atenção com outras coisas. Quem estiver a fim de links legais que procure no Google.

Rá.

Não sei se já disse, mas a idéia deve estar subjacente em tudo que escrevi até agora: não estou a serviço de quem quer que seja. Escrevo aqui única e exclusivamente porque escrever, pra mim, é uma fonte de prazer, de diversão e de crescimento intelectual.

Embora não intelectual no sentido esnobe da palavra.

Também não descarto a possibilidade de escrever a serviço de alguém, desde que seja, ao menos, moderadamente recompensado.

Com o passar do tempo e conforme o conceito do LABIRINTO coalesça (onde quer que as idéias vão pra coalescer) devo praticar novas entradas que esclareçam as escolhas que fiz com relação ‘a forma e conteúdos daqui.

Cuidado: é um lugar ao qual chegamos com o intuito de nos perdermos.

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