VOX.

May 21, 2006

minha experiência diz que escrever é a melhor solução, não protelar.

mas protelar parece o único jeito de conseguir tempo bastante de dormir.

escrever me tira o sono.

inda mais se fico excitado com a história ou curioso pra saber como tal personagem vai se comportar a seguir ou se serei capaz de dar uma conclusão adequada pra trama e mais trocentos "ous" diferentes.

então protelo.

mas no fundo sei que eles estão lá aguardando um sopro de vida que seja, uma migalha de drama, uma simulação qualquer de respiração.

pedro está sentado em sua mesa e olha as telas de vigilância enquanto ouve ao rádio.

a dj raivosa solta impropérios sobre porcos e pérolas.

de certa forma é uma raiva contagiosa.

ele se revolta com o jeito como ela fala de seus ouvintes, tem vontade de, de algum modo, dizer a mulherzinha o que sente a respeito de sua atitude pouco cordial com os ouvintes.

ele, um deles.

a raiva cresce, mas não há saída.

o dial permanece na mesma sintonia.

ela põe uma música e cessa a verborragia por quase 10 minutos.

pedro devaneia durante a execução.

ninguém aparece nas telas, como era de se esperar.

quando ela retorna parece um tanto mais desligada do rompante anterior, mais relaxada.

pede desculpas.

diz que tem problemas pessoais a afligindo.

pedro lembra de uma cena que testemunhou sem o auxílio de câmeras e monitores.

a crise pública de uma de suas primas num daqueles momentos toscos em família.

brigada com o marido.

com medo do abandono.

carente.

por motivo desconhecido teve uma crise de choro que não queria passar.

até que alguém a abraçou.

talvez a dj precisasse de um abraço.

mas ele não pensou nesses termos.

pedro era só meio-educado. autodidata, não aprendera os rudimentos da sociabilidade. "jagunço chic" seria uma definição inteiramente eficaz.

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