ilusão.
as noções que tenho de como continuar uma história variam de segundo a segundo. alternativas infinitas em direção ao passado, ao futuro, ou, ao menos ousado, a linearidade do presente.
claro, nos quadrinhos fica óbvio que o tempo cronológico é uma ilusão. trata-se de um objeto único que se subdivide de modo a conter signos que desenvolvem e narram progressivamente (nem sempre) uma história.
acabada a leitura, ou durante ela, pode-se fazer as páginas voltarem ao seu estado original de repouso, fechar-se a revista ou retroceder até determinado ponto da história e, presto!, tudo é passível de repetição.
como em O FEITIÇO DO TEMPO, em que uma seqüência de eventos vai se repetindo até que o leitor (ou o personagem que vivencia as repetições) passe a interferir na narrativa, mudando-a conforme mudanças vão se promovendo em sua própria personalidade.
não é assim com a leitura e releitura de histórias que marcaram momentos em nossas vidas? quando mais maduros retornamos aos mundos fabulares da infância e descobrimos que o encanto original da inocência se perdeu ou descobrimos que aquele livro que nos pareceu uma aventura inconseqüente tinha mais camadas, mais nuances e significados a serem explorados para além de nossa capacidade na época?
