agora mesmo, enquanto você dorme, há um monstro rondando por perto. comigo tem sido assim por esses dias, tenho tido a sensação de que há algo observando, preparado pra abrir meu abdomen e tocar arpa com minhas tripas.

não é neurose. é necessidade de falar. tem a ver com o desperdício que começo a perceber agora. de recursos, é claro. coisa de geek acredite se quiser.

minha preocupação gira em torno da indústria de quadrinhos. é meu monstro, o pesadelo ao qual não quero mais me submeter. porque, sras. e srs., a dita indústria só faz mais do mesmo… nada contra os gibis ocasionais de super-heróis. pode-se viver com eles. mas só gibis de super-heróis?

scott mccloud disse isso melhor e com mais ênfase do que jamais serei capaz: é como só comer bolo de chocolate. imagine se sua dieta fosse constituída só disso. e é só isso que a indústria oferece. a fantasia escapista de ser divino e não precisar lidar com as agruras do dia-a-dia.

o que tem me perturbado ultimamente é todo esse potencial desperdiçado. enquanto vemos 3, 4, 5 títulos com o mesmo personagem de capa e roupa justa, deixamos de ver quantos outros mais interessantes.

quem deixaria de comprar um mês dos gibis marvel/dc pra experimentar a verve, a arte e a história de Spacca no seu novo e brilhante SANTÔ? ou investiria tempo em descobrir gente desconhecida como Dylan Horrocks, autor do magnífico HICKSVILLE?

ainda quero escrever mais sobre isso, mas acho que hoje não tenho mais condições.