Labirinto

June 30, 2006

ontem.

Filed under: Minotauro

tive mais um daqueles sonhos estranhos esta noite. de volta ‘a escola sendo o perseguido, a vítima da crueldade de outros meninos novamente. era uma das coisas a respeito dos super-heróis com as quais me identificava… queria, como eles, ter uma identidade secreta que tornasse a violência como resposta possível.

a fuga. todo adolescente quer fugir de alguma coisa, sejam seus colegas, seus pais ou professores e trocentos outros terrores que os perseguem… hoje em dia, se pudesse, fugiria do aborrecimento, de todo e qualquer aborrecimento. mas nada é tão simples.

ontem estive me perdendo em devaneios sobre o que está me fazendo tomar distância dos quadrinhos de super-heróis. tem um pouco a ver com a sordidez em que esta indústria foi fundada, tem muito a ver com a súbita emergência de outras prioridades financeiras, tem mais ou menos a ver com o aborrecimento de ver sempre repetidas as mesmas histórias, ad nauseam…

chegou a um ponto em que nem estou mais interessado em saber quem escreveu e desenhou… foi preciso percorrer um longo caminho pra chegar nisso. tudo o que cheira ‘a indústria de quadrinhos atualmente me produz ânsia. em particular, o gênero de fantasia supereroística que soterra as bancas e faz a cabeça da maioria dos leitores.

o ponto é este (e é pessoal e é intransferível): é preciso ser muito ousado pra inovar na indústria e o tipo de ousadia que curto está fora dela. toda vez que há uma ressurgência de motivos interessantes nas ditas historinhas de super-heróis, vem alguém e torna o diferente em lugar-comum. a exceção se torna a regra.

a última vez que li uma história de super-heróis que fez sentido foi há sei lá quanto tempo, na primeira publicação de WATCHMEN por aqui. caras como grant morrison não podem ser acusados de fazer super-heróis. eles usam isso como disfarce, como colocar um rótulo de produto em outro pra tornar a venda mais segura, mas ANIMAL MAN, por exemplo, ou DOOM PATROL, já que estou falando de morrison, são metaficções. os elementos estão ali pra servir um propósito maior.

warren ellis, por sua vez, escreve terror e fc usando a mesma velha desculpa de ter homens usando colantes correndo pra cima e pra baixo… se você quer material mais psicológico, chegue em peter milligan e veja do que ele é capaz usando os "cuecas por cima das calças"…

de resto, só resto.

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