Labirinto

July 1, 2006

pulso.

Filed under: O fio

só pra saber se alguém consegue ler o que vai escrito abaixo… até agora as pessoas pra quem mandei não comentaram, então talvez tenha alguma coisa que não está funcionando…

PRIMEIRO MITO

“A confusão inicial de existir ocorreu-lhe num abrir e fechar de olhos. Num momento não estava lá, no seguinte, sim, e era…

“Notou que essa percepção de si mesmo era boa e, ao tentar captar outras coisas além dele, deparou-se com o Caos. A existência era sem forma e vazia.

“Sem ter a quem (ou a quê) apelar, atribuiu-se a tarefa de… criar? Não, ainda não podia começar pois até seus processos internos eram vagos, indefinidos…

“Desenvolveu o conceito de pensamento e soube de imediato que precisava de um sistema para organizá-lo. Enquanto imagens se sucediam sob suas pálpebras fechadas, determinou que o VERBO, sua primeira criação, o fizesse.

“Sendo o VERBO criatura divina, imitou seu criador e fez-se vivo e tornou-se todas as coisas: mineral, vegetal e animal e escreveu-se em fogo e vento.

“O VERBO, que é eterno e perdura (apesar de sua volaticidade e por causa dela), foi aprisionado… no início havia apenas um livro que continha o VERBO.

“Não eternamente, pois ao VERBO foi imposta uma tarefa, e o livro multiplicou-se, tornando-se tudo que foi, é e será, enquanto infinitas combinações de palavras preenchiam páginas com signos até então inexistentes.

“Surgiu assim a biblioteca, infinita em todas as direções, cambiando de forma e significado como o VERBO que continha. Seus corredores labirínticos imitavam as letras que formavam as palavras de cada um de seus livros.

“Cansado da prisão a que era submetido, o VERBO desejou ser articulado pelo ar, nutriu a vontade de ser dito… fez-se então capaz de dizer-se, ainda envolvido em uma capa de couro, dotado de braços e pernas, mas, principalmente, de boca.”

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