Labirinto

July 15, 2006

12.

Filed under: O fio

Você com certeza pode se perguntar: “Como assim? Como reapareceu? Você esteve com a mulher, o quê, meia hora?”

E, sim, estaria certo.

Mas é a verdade. Ela não estava lá e, de repente, estava. Reapareceu, entende, voltou a fazer parte da minha vida.

A princípio não entendi (sendo sincero agora: ainda não entendo) o que poderia querer de mim. A mulher achou que eu era algum tipo de tarado, pois um amigo policial pra me investigar, me enxotou de uma festa e agora…

Melhor falar do que ela queria, certo?

Acho que vale dizer que a curiosidade falou mais alto que o medo nesse caso. Ela quis, afinal, saber por quê eu tinha me interessado por ela, quem eu era, o que fazia e mais milhões de perguntas. Dessa vez, queria saber em primeira mão e não receber informações de terceiros.

Corro o risco de parecer pretensioso, mas acho que estava atraída por mim. E dessa vez, não veio disfarçada de homem como na festa. Tive até um pouco de dificuldade em reconhecê-la.

Alice foi a mulher mais complexa com que lidei e, é sério, não estava preparado pra lidar com ela.

Estava parada do lado de fora da fábrica, usando um vestidinho esvoaçante, solto do corpo, que a fazia parecer uma aparição (no bom sentido do termo)… seu cabelo louro, também solto, caía em cascata sobre os ombros e os óculos foram substituídos por lentes de contato. O batom foi o que mais me chamou atenção. Era vermelho e contrastava com o tom leitoso de sua pele.

Finalmente a Alice que eu esperava ser a dona da voz.

“Oi, Pedro.”

Foi tudo o que precisou dizer pra reconhecê-la.

“Oi, dona-encrenca.”- respondi, imaginando onde estaria Cléber.

“Paz, cara-pálida! Não vim pra brigar. Só quero trocar idéias. Conversar um pouco. Saber quem é você, estranho.”

“Entendi. Pra depois fazer pouco de mim com seus amiguinhos burgueses. Tá bom. Vai esperando.”

“É sério, Pedro: missão de paz. Juro. Quero saber mais…“

Claro, eu estava fazendo charme, mas e aí? Você não faria? Afinal, eu também tinha ego, apesar de não ter dinheiro.

“Tudo bem. Vamos conversar.”

“Pra onde?”- ela perguntou, abrindo a porta do carro.

“Um lugar em que a gente possa falar… e que não seja caro.”

Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Jay of onefinejay.com