Labirinto

October 19, 2006

21.

Filed under: K.I.S.S.

ainda bem que vergonha não mata.

de todas as pessoas possíveis pra me encontrar como estou no momento tinha que ser, é claro, alguém que não estava presente quando tudo começou. esqueça vânia, chá, celso, lúcio. quem me pegou enroscado com a mãe terra foi amélia. de repente izzy não está em nenhum lugar em que possa ser vista. de repente, me dou conta, não estou no campo com lúcio e cia limitada. estou no jardim do templo em que amélia presta serviço e não é outra se não ela que se encontra em pé, na minha frente, mãos nas laterais do hábito marcando a cintura (que adoro mais ainda quando naquele indizível vestido justo), olhar reprovador e prestes a chamar a polícia, com o auxílio do noviço-cara-de-pizza do outro dia. não me pergunte como aconteceu. quer dizer, pergunte depois, quando eu tiver investigado o caso, falado com lúcio e descoberto mais a respeito da conversinha íntima que estava tendo com celso.

claro, ele pode mencionar minha conversa íntima com izzy. exceto que izzy pode não ter sido vista por ninguém. izzy pode ser só uma manifestação alucinatória de meu tesão reprimido por amélia.

onde está jack?

"Então?"

a palavra soa autoritária, reverbera pelo jardim e tenho a sensação de que serve pra convocar todos os presentes a fim de que testemunhem minha degradação.

"Como foi seu exame?" pergunto, tentando encontrar um terreno comum a nós dois novamente enquanto subo o zíper e abotôo a calça.

ela solta o ar pelo nariz, bufa mais um pouco e dispensa seu assistente.

"Volte pra dentro e diga que foi alarme falso de exibicionista."

"Sim, irmã."

o que vai acontecer a seguir é um mistério. minha vida, parece claro agora, está envolta por ele.

"Você ainda não disse o que está fazendo no jardim e…"

"Olha, eu queria explicar, mas também não tenho idéia de como cheguei aqui. A gente estava no campo, procurando pistas sobre a marreta… te falei que talvez tenhamos recuperado o prego?"

"O cravo?"

"Isso. Depende de o homem-mosca ou o homem-rã que meu amigo descolou já ter feito o serviço."

"Você quer me confundir e não explicar nada, certo? Talvez ache que por eu ser freira sou ingênua o bastante pra ser ludibriada com tanta facilidade…"

"Não é nada disso. Só estou tentando contar a verdade. O problema é que a verdade de uma hora pra outra deixou de parecer real."

"Que tal tentar começar do começo?"

e eu conto tudo, omitindo minhas distrações e devaneios com o corpo maravilhoso dela, tentando fazer a narração mais clara e concisa dos eventos conforme me lembro deles.

"Essa Izzy…’

"Sim?"

"Você não notou que ela parecia com alguém que tinha visto antes?"

"Claro."

"Você se deitou com o demônio, Lucas."

"E, na prática, o que isso significa? Quer dizer, muda alguma coisa entre nós?"

"Não. Continuo afirmando que não vou pra cama com você."

Comments »

The URI to TrackBack this entry is: http://labirinto.blogsome.com/2006/10/19/21/trackback/

No comments yet.

RSS feed for comments on this post.

Leave a comment

Line and paragraph breaks automatic, e-mail address never displayed, HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>


Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Jay of onefinejay.com