Labirinto

November 2, 2006

25.

Filed under: K.I.S.S.

resolvo procurar lúcio. embora ele não tenha o hábito de partilhá-las, acho que vai ter algumas das respostas que procuro. agora a questão é pessoal (já que o dinheiro acabou).

passo no chico e peço um com tudo em cima.

apesar da intenção, não sei se vou encontrar lúcio no lugar de sempre.

tenho um palpite de que vou encontrá-lo mesmo que não o procure.

penso pensamentos bem mais objetivos do que estou acostumado. se soubesse que meter o pé na terra tinha esse efeito terapêutico antes só andava descalço.

preciso sair dessa armadilha em que estou. a impressão de que a qualquer momento Izzy pode aparecer de novo e me secar é meio aterrorizante. se fosse com amélia isso não aconteceria. ela só muda de roupa, não de cor de cabelo (e de pele, se não me engano) a cada encontro.

segurança.

acho que preciso de segurança pra me relacionar com as mulheres.

não, esqueça o plural.

melhor me relacionar só com uma mulher de cada vez.

pelo menos não estou mais com sono.

ninguém recomenda que se coma cachorro quente no café da manhã por algum motivo.

começo a sentir do que se trata logo depois de engolir o último pedaço, aquele em que há mais salsicha do que pão. percebo que ela está mais escura que o normal, mas como dizem por aí, ‘o que não te mata te torna mais forte’. ou ‘o que não mata engorda’. parecido mas não igual, já que engordar, além de estar fora de moda, pode ser tão prejudicial ‘a saúde quanto comer algo que pode te matar. você morre do mesmo jeito não importa a decisão que tome.

mas tergiverso.

claro que não noto o sujeito que se esforça tanto em me seguir.

é o que quero que ele pense, óbvio.

a aparência não é das melhores.

magro demais (eu sei, é uma antítese, não é esse o nome?), com toda pinta que um viciado em metanfetamina ostenta orgulhosamente, inclusive as falhas na dentição. ou ausência dela.

fico curioso pra ver quão perto ele vai chegar antes de anunciar o assalto.

mais curioso ainda pra saber o que o faz pensar que tenho algo que mereça ser roubado.

como qualquer leitor de livro de espionagem vagabundo sabe, procuro atrair o sujeito prum local em que possa confrontá-lo sem a intervenção de nenhum transeunte. as pessoas podem confundir as coisas. as coisas podem confundir as pessoas. e eu continuo me sentindo claro o suficiente pra fazer a abordagem.

não demora.

o beco é escuro o bastante pra que eu possa me esconder e tem luz suficiente pra tirar a arma do coldre, destravar e deixar pronta pro que der e vier.

ele se aproxima tentando não fazer barulho e obtendo mais ou menos o mesmo sucesso de me seguir sem ser notado.

quando está já três metros adentro do beco, aponto pra ele a outra extremidade do cano e digo na melhor imitação de ‘dirty harry’ que consigo:

"Vamos lá, me dê um motivo…"

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