época

August 28, 2007

a melhor época da minha vida? difícil dizer. a gente tem essa tendência de se referir ao passado, né? como as outras pessoas costumam responder?

é, imaginei. meio estranho que o indivíduo adulto sempre recorra às memórias da adolescência pra responder a esse tipo de pergunta, não acha?

pra mim, passado, presente e futuro estão tão próximos que sou capaz de confundi-los.

quer dizer, alguns minutos atrás, quando concordei em conversar contigo, já é passado.

o que estou pensando em te dizer agora, no presente, só vou dizer daqui a alguns segundos ou minutos, no futuro, que agora é presente e, pronto, é passado.

a gente tá tão preso numa série de ações repetitivas, numa rotina, que o tempo cronológico meio que perde o sentido.

é como no ‘dia da marmota’.

a vida é feita de repetições. às vezes só dá pra perceber a passagem do tempo através da biologia: a fome, a sede, o crescimento de pêlos… as sensações dão a tônica de como cada um gasta seu tempo.

o passado, a memória, pode ser um estado de espírito. ou ao recontá-la podemos reescrevê-la de modo a adequar o atual estado de espírito.

atual é uma palavra que curto porque equivale a presente. gosto de retomar contato com pessoas depois de algum tempo. tempo, nesse caso, é um dos conceitos mais abstratos em que consigo pensar.

a pessoa diz ‘nada novo’ ou despeja uma tonelada de novidades. acho que tempo tem mais a ver com percepção do que com realidade fatual.

duas pessoas que viveram as mesmas coisas simultaneamente podem dar estas mesmas respostas que mencionei antes.

suponhamos que uma viva num túnel de realidade cético e a outra, num místico… uma vai perceber as repetições da rotina como tédio e a outra vai classificar essa estabilidade como um milagre diário.

é, ainda não respondi a pergunta.

tinha quase esquecido.

acho que o presente é o melhor tempo da minha vida, já que é nele que estou constantemente. todo o tempo. mesmo o passado e o futuro já foi ou ainda vai ser o presente.

e se você entender tempo como parte do binômio espaço-tempo, vai perceber que se trata de uma constante… pode encará-lo como um objeto, como a 4ª dimensão ou sei lá.

talvez isso ficasse mais claro se ao olharmos pra trás enxergássemos imagens residuais de nós mesmos. às vezes gosto de pensar em como a luz viaja através do espaço e chega a nós mais velha.

enxergamos determinada estrela, mas o que vemos no presente é a recordação do que ela foi um dia.

O segundo sol

August 21, 2007

O segundo sol foi entendido primeiro como um fenômeno atmosférico, uma imagem residual do Astro-rei que foi se tornando costumeira pros observadores quase ao ponto de não lhe darem mais importância.

Quando as aberrações gravitacionais surgiram as pessoas já estavam tão acostumadas à idéia de que se tratava somente de um ponto de luz gravado em suas retinas coletivas que não associaram uma coisa à outra.

Os mais alarmistas começaram a dizer que a humanidade estava sofrendo de visão dupla consensualmente e a procura aos oftalmologistas tornou-se, de repente, obrigatória.

Os animais passaram a comportar-se de modo estranho e chuvas excêntricas de moedas, sêlos, matéria orgânica, pedras, sapos, peixes e coisas até mais estranhas passaram a ocorrer entre as convencionais chuvas de água.

Aparentemente os cultores da visão dupla coletiva não perceberam que viam somente o sol em dobro.

Seitas apocalípticas pulularam. Uma das heresias que mais desagradou o vaticano foi a que apregoava que Deus, agora, tinha os dois olhos sobre nós, o que aproximava o inevitável fim.

"Ele está nos julgando.", diziam. A aurora boreal passou a aparecer em quase todos finais de tarde na América do Sul, antecipando uma série de terremotos. As pessoas ignoravam a tectônica das placas e a atividade vulcânica assim como a presença do segundo sol e diziam que já previam tempos difíceis por causa dos nascimentos anormais, de cobras que saíam de ovos de galinha, gatos alados, bezerros de duas cabeças, crianças com crânios similares ao do pássaro garuda etc.

O calor tornou-se mais intenso e os dias se prolongaram. Manhãs de 24 horas contra noites de 6. As tensões na superfície do planeta evidenciaram-se e, afinal, alguém teve a idéia de mencionar que o segundo sol também exercia gravidade no espaço-tempo.

Outra pessoa disse que a Terra estava indecisa sobre qual estrela deveria orbitar e, por isso, estava se partindo ao meio.

As massas também se dividiram entre a explicação científica e a religiosa. De alucinação consensual a apocalipse laico ou místico tempo recorde.

O holograma começou a falhar e, finalmente, víamos o universo perfeito e seu irmão danificado. A segunda Terra chocou-se com a nossa.

agulha

August 20, 2007

começando a ter balas na agulha o bastante pra soltar uns textos um pouco mais complexos aqui do que o de costume.

me falta o saco de digitar tudo.

me sobra o medo de encher o dos outros com uma avalanche de lugares-comum.

mas vá lá.

vou tentar fazer uma seleção dentro do material recente e editar um tantinho pra não ferir demais a sensibilidade dos outros.

(como se eu me importasse. é foda ser hipócrita. quem não é hipócrita? se me importasse mesmo recomendaria a leitura de autores consagrados e pararia de vez com minha fantasia masturbatória de ser escritor.)

fim da transmissão.

o ato falho é proposital.

quase

August 16, 2007

tudo bem.

hoje foi um dia mais leve no que diz respeito à parada do mundo secular e tudo mais e escrevi duas páginas do texto novo.

lucas está divertido como sempre, encontrou seu novo empregador, bem diferente da amélia e já fez contato com outro coadjuvante.

ensaiei digitar a história nova (a mais curta de todas até agora) de Lúcio, mas broxei no meio do caminho porque ainda não consegui um título decente pro material.

daqui a umas horas volta a correria mas espero conseguir manter o ritmo e fazer mais uma página por dia pelo menos.

sinc

August 15, 2007

depois de meses, ontem retomei a narrativa de lucas profit, vulgo bono, sem nenhuma intenção além daquela já esboçada anteriormente de juntar elementos estranhos à mitologia do personagem.

hoje, assistindo WAKING LIFE pela metade, peguei o fragmento de diálogo em que um dos sonhadores fala de como VAZIO INFINITO, do P.K.D., é um reflexo do livro bíblico de atos.

desenterrei minha cópia da bíblia e comecei a ler as informações sobre a produção do texto que, é claro, é atribuído, entre todos os discípulos, a lucas.

‘coincidência é o fio que ata todas as coisas.’

bono

August 14, 2007

hoje o bono voltou depois de quase um ano de merecidas férias.

ainda estou nos estágios iniciais, mas se tudo der certo e eu continuar a produzir pelo menos uma página por dia no caderno de esboços, logo vamos ter mais uma aventura do detetive pitoresco pra vocês acompanharem.

nem vou falar muito pra não estragar as possíveis surpresas, mas a trama que bolei resgata mais personagens e situações que tinha criado pra hqs que não deram certo e soma tudo a personagens inéditos.

tá sendo divertido, é claro.

vai ser mais ainda quando tiver dividindo com os leitores.

exercícios

August 13, 2007

só pra manter a prática, como dizem por aí. a técnica da descontração ainda funciona às mil maravilhas quando quero produzir qualquer tipo de texto. exceto, talvez, se der uma de maluco (como imagino que vou fazer em breve) e me meter a escrevinhar ensaios mais uma vez.

daí o bicho pega.

porque pra escrever ensaios preciso estar inspirado de outro jeito, transbordando de idéias e tudo mais, sentindo-me capaz de juntar um mais um, pelo menos.

aquela coisa de acreditar pra fazer acontecer pode até ser válida em algum nível que prefiro ignorar. escrevi um par de páginas ontem pensando nisso.

vamo ver se cola (ninguém mais fala assim, certo?).

faster

August 10, 2007

inspirado diretamente de uma linha de diálogo (um dos preferidos de todo mundo que vive no século xxi) dos pornôs de antigamente.

enrolando só um pouco antes de voltar pro caderno de notas pra encher mais uma página com texto sofrível a fim de, em breve, encher os blogs com texto ao menos razoável.

procrastino. eis minha razão de ser.

enquanto isso flerto com a possibilidade (as possibilidades) que se abrem só por ter uma perspectiva diferente adiante. nos outros sentidos também, inclusive no aqui-agora.

o plano é o de sempre: reinvenção através do texto.

se der certo…

ressurreição

August 6, 2007

faz tempo, certo?

eu sei.

talvez isso mude em breve. vai depender da minha satisfação com o material que tenho produzido recentemente no meu caderno de esboços. nada muito especial. só o trivial simples.

até agora fiz umas 6 páginas de manuscrito de várias histórias paralelas que podem tornar-se complementares desde que eu tenha a idéia certa.

uma das idéias que mais tem me agradado até agora é um conceito que quero trazer pra prosa que costuma(va) ser exclusivo dos quadrinhos.

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