a melhor época da minha vida? difícil dizer. a gente tem essa tendência de se referir ao passado, né? como as outras pessoas costumam responder?
é, imaginei. meio estranho que o indivíduo adulto sempre recorra às memórias da adolescência pra responder a esse tipo de pergunta, não acha?
pra mim, passado, presente e futuro estão tão próximos que sou capaz de confundi-los.
quer dizer, alguns minutos atrás, quando concordei em conversar contigo, já é passado.
o que estou pensando em te dizer agora, no presente, só vou dizer daqui a alguns segundos ou minutos, no futuro, que agora é presente e, pronto, é passado.
a gente tá tão preso numa série de ações repetitivas, numa rotina, que o tempo cronológico meio que perde o sentido.
é como no ‘dia da marmota’.
a vida é feita de repetições. às vezes só dá pra perceber a passagem do tempo através da biologia: a fome, a sede, o crescimento de pêlos… as sensações dão a tônica de como cada um gasta seu tempo.
o passado, a memória, pode ser um estado de espírito. ou ao recontá-la podemos reescrevê-la de modo a adequar o atual estado de espírito.
atual é uma palavra que curto porque equivale a presente. gosto de retomar contato com pessoas depois de algum tempo. tempo, nesse caso, é um dos conceitos mais abstratos em que consigo pensar.
a pessoa diz ‘nada novo’ ou despeja uma tonelada de novidades. acho que tempo tem mais a ver com percepção do que com realidade fatual.
duas pessoas que viveram as mesmas coisas simultaneamente podem dar estas mesmas respostas que mencionei antes.
suponhamos que uma viva num túnel de realidade cético e a outra, num místico… uma vai perceber as repetições da rotina como tédio e a outra vai classificar essa estabilidade como um milagre diário.
é, ainda não respondi a pergunta.
tinha quase esquecido.
acho que o presente é o melhor tempo da minha vida, já que é nele que estou constantemente. todo o tempo. mesmo o passado e o futuro já foi ou ainda vai ser o presente.
e se você entender tempo como parte do binômio espaço-tempo, vai perceber que se trata de uma constante… pode encará-lo como um objeto, como a 4ª dimensão ou sei lá.
talvez isso ficasse mais claro se ao olharmos pra trás enxergássemos imagens residuais de nós mesmos. às vezes gosto de pensar em como a luz viaja através do espaço e chega a nós mais velha.
enxergamos determinada estrela, mas o que vemos no presente é a recordação do que ela foi um dia.
