Labirinto

September 2, 2007

vida louca

Filed under: O fio

viver no mundo e tentar encontrar a causa de todo e qualquer fenômeno pode te enlouquecer. é engraçado quando se pensa ser capaz de traçar conexões, estabelecer ligações e determinar o motivo por trás daquilo que se presencia.

as pessoas se tornam paranóicas com o que não são capazes de controlar. o, veja só como é parecida com aquela outra palavra, casual (caos, acaso) sempre é considerado com reservas.

ninguém diz só ‘que coincidência!’ e se dá por satisfeito com isso. não mais. as pessoas acham que há um motivo. que tudo acontece por um motivo. elas entram em delírio e começam a entrecruzar ações, atitudes, fatos, pensamentos disparatados numa rede de segurança que só explique, por que, por que, por que!

todo mundo quer entender como as coisas acontecem e quando acontecem e porque, principalmente se for algo ruim, porque, ou uma variação popular egoísta, ‘por que comigo?’

pois é.

a boa notícia é que às vezes somos capazes de investigar o acaso aparente e descobrir o que o causou, se bem que geralmente a descoberta vai demonstrar que todo fosfato gasto na formulação da teoria da conspiração da vez foi desperdiçado…

a causalidade imaginada pode ter ou não a ver com aquela vez em que você foi grosso, invocou o nome de deus em vão, traiu sua mulher, esbofeteou seu filho etc.

tudo está conectado quando se pensa em termos de mecânica qüântica. o comportamento de uma partícula mínima afeta o comportamento de outra tão distante quanto o universo é infinito (ou não).

funciona no microcosmo.

claro que pode funcionar no macro também quando se pensa, por exemplo, em ecossistemas, extinção das espécies, impacto ambiental… tudo tem causa e efeito nesse plano.

o que realmente escapa do controle é o comportamento das pessoas. dentro da cabeça de cada um há um modelo do universo em que até o dono da cabeça está representado.

dentro desse modelo, que é o filtro pelo qual julgamos conhecer o mundo, há uma série de comportamentos, atitudes, o que seja, que esperamos…

como numa rotina, espera-se que tal pessoa tenha tal comportamento… temos pressa em catalogar e etiquetar, em definir as pessoas pra podermos lidar com elas com mais facilidade.

bom, aí é que está: as pessoas mudam.

da noite pro dia.

não são previsíveis nem nada parecido.

só são.

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