Labirinto

September 5, 2007

Joana

Filed under: K.I.S.S.

…mantinha as pernas no alto, a saia do conjunto bege levantada até os quadris.

O homem era pesado demais pra ela e transpirava uma substância fétida durante o coito.

De forma inusitada, ele, tão conhecido por sua perspicácia e frieza, não percebeu o peso extra e o volume excessivo na bolsa dela.

Joana só aguardava o momento certo pra eliminar o que causava sua ojeriza.

Detetives.

Sempre desprezíveis.

Agindo como se soubessem tudo sobre todos e fossem capazes do mesmo tanto.

Seu marido os contratava às pencas pra segui-la, fotografá-la, descobrir seus segredos e revelá-los a ele.

Ela achava que Lobo fazia isso pra compensar sua impotência.

O importante era estar sempre dois passos adiante dos idiotas.

Num país terceiro mundista era ridículo pensar em detetives particulares competentes. Era até contraditório. Investigadores profissionais da polícia… patético.

Sempre percebia quem eram apesar dos esforços deles pra se manterem incógnitos. Uma coçadinha aqui, um pescoço esticado em demasia acolá. Inépcia abundante.

Então se aproximava e jogava todo o charme malévolo de que dispunha sobre os imbecis.

Eles não resistiam e Joana se alimentava, satisfazia seus apetites com eles.

Algumas vezes imaginava fantásticas teias de conspiração pra ser livre novamente, mas sempre esbarrava em algum problema. O que mais lhe fazia falta era alguém que fosse desprovido de moral e agisse profissionalmente.

Um esgar se desenhou no rosto do homem. Uma gota grossa do suór dele manchou sua saia, escurecendo o tecido. Sacando e engatilhando rapidamente a arma niquelada, roçou-a em seu clitóris e nas coxas.

O homem fechou os olhos, ela o empurrou alguns centímetros pra trás sentindo ainda a glande dentro de si e atirou na base do pênis, castrando-o e estilhaçando sua bacia.

O silenciador retardou a velocidade do projétil, mas daquela distância o tiro à queima-roupa foi suficiente.

Davi Dias gemeu em falsete alguns segundos antes de desmaiar. A perda massiva de sangue foi a causa mortis.

Enquanto acendia um cigarro, Joana pensou em como o detetive fora eficiente em sua última missão.

Teve um orgasmo múltiplo enquanto cinco centímetros de carne ainda pulsante escapavam de sua vagina.

As pernas ensangüentadas, coxas volumosas, proibidas, mortais… lamentou ter destruído cabeça, mãos e pés do homem com tiros. Desperdício de munição com as balas tão caras…

Foi ao banheiro, despiu-se e tomou um longo banho. A água revoluteando massageava músculos tensos e fazia-a relaxar.

Trocou de roupas mas permaneceu sem calcinhas.

Era um bom motel.

Ninguém perturbava.

As paredes, espessas o bastante pra que ninguém ouvisse os baques surdos do cão da arma.

Já o cheiro de cordite e pólvora ficariam no ar, assim como o sangue, espalhado no chão.

Apanhou a arma, a bolsa, e saiu, avisando na portaria que o sr. Davi Dias pagaria a conta depois que acordasse.

Foi-se intacta.

Comments »

The URI to TrackBack this entry is: http://labirinto.blogsome.com/2007/09/05/joana/trackback/

No comments yet.

RSS feed for comments on this post.

Leave a comment

Line and paragraph breaks automatic, e-mail address never displayed, HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>


Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Jay of onefinejay.com