Labirinto

September 18, 2007

outra vez

Filed under: O Centro

o tempo urge. a necessidade de produzir me guia, melhor, guia a ele, e a corrida contra os minutos que se esgotam começa.

uma fresta na janela permite que o ar fresco da noite renove o ambiente.

as pálpebras pesam e atrapalham um pouco sua (minha?) concentração. mas nada que um pouco de persistência não vença. ainda assim, a página em branco é desafio.

sente-se tentado a escrever uma tirada filosófica qualquer e percebe que o que pretendeu fazer, mais ou menos nesta altura do ano anterior, já tinha sido escrito melhor por R.A.W.

refunga como um cavalo.

tenta pensar em outra coisa, talvez recorrer ao clichê do café e dos cigarros, mas já tem outro cara fazendo a mesma coisa melhor em seu próprio blog.

não consegue pretender ser capaz de fazer uma radiografia da alma feminina como leu em algum lugar.

pensar em alma o deixa com sérias dúvidas. talvez sequer tenha uma dele mesmo, por isso prefere o termo psique, mais aberto à interpretação. considera-se portador de uma dessas.

acha que psique pode ser mente.

pensa em mente, pensa e mente.

mentir?

não.

pensar em mente é como um truque de ilusionismo, um espelho que reflete outro ad nauseam.

mente, segundo seus parâmetros mais recentes, pode ser o software que permeia toda a humanidade e, claro, pode ser um campo, uma experiência (uma alucinação?) coletiva.

desistir é mais fácil.

simples assim.

só pare.

não pára.

tem que cumprir a quota diária. pelo menos 500 palavras que, é o que imagina, cabem numa página de caderno universitário quando usa letra de forma pra escrever.

tenta lembrar de algo digno de ser mencionado e que tenha ocorrido dentro das horas despertas desde o início do dia, o fim da madrugada.

várias mulheres desfilam pelo olho de sua imaginação numa seqüência desordenada, sem maiores atrativos que a estética corporal.

mulheres nos meios de transporte, mulheres nas ruas, em ambientes fechados, abertos, que mereceram toda a atenção que foi capaz de reunir nos breves momentos em que se cruzaram.

toma um gole d’água.

checa as guimbas no cinzeiro.

nada de cigarros por causa do outro cara.

nada de alma.

só carne e ossos e pele e cabelos…

sangue em movimento tanto em seu corpo como no delas.

irrigação, lubrificação…

retorno ao animal observador.

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