Labirinto

September 24, 2007

fogo

Filed under: K.I.S.S.

fogo externo.

suas tripas se moviam com lassidão demonstrando apreço por chamas.

afinal, via diante de si produto de labor.

mesmo investigação detalhada não demonstraria tratar-se de  incêndio criminoso.

perspectiva peculiar que tinha jamais permitiria que aceitasse fogo como resultado de doença mental.

era belo.

labaredas crepitavam e dançavam, preenchendo sentidos.

juntava-se cheiro agradável da fumaça.

sabia que precisava sair da cena quanto antes.

sua resistência a calor e a carbono liberado pela queimada já chegava no limite.

deixou ambiente e postou-se a uma distância segura antes que  primeiras testemunhas e corpo de bombeiros aparecessem.

ondulação da pira que depósito se tornara era hipnótica.

embriagado por fogo e poder de definir seu destino sem temer quaisquer conseqüências.

decidiu comemorar novo batismo, passagem pra nova vida, indo a bar próximo e exercitando confiança recém-adquirida.

sirene de viatura aproximando-se despertou do torpor, movimentou.

cervejas depois, usando encanto de cão superior que impusera a si com fogo, levou mulher a quarto de motel e exsudou erotismo ígneo que rolava como lava em sistema circulatório.

não queria que fogo se apagasse e assim foi.

consumiu-se na labuta sexual até restar nada além de ossos carbonizados.

mulher estava em transe.

nunca tinha sido tão bem fodida.

guardaria lembrança do encontro com homem que a estragou pra todos outros.

seu sexo abrasado quis saber mais sobre parceiro casual.

ele mentiu como rei. ela deu crédito a cada palavra, inclusive que se veriam outra vez. meia-verdade.

descansou sem preocupação com dia seguinte.

sono profundo e pacífico e restaurador.

acordou 12 horas depois pensando em coisa alguma… só persona gravada em fogo na mente plástica.

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