fogo
fogo externo.
suas tripas se moviam com lassidão demonstrando apreço por chamas.
afinal, via diante de si produto de labor.
mesmo investigação detalhada não demonstraria tratar-se de incêndio criminoso.
perspectiva peculiar que tinha jamais permitiria que aceitasse fogo como resultado de doença mental.
era belo.
labaredas crepitavam e dançavam, preenchendo sentidos.
juntava-se cheiro agradável da fumaça.
sabia que precisava sair da cena quanto antes.
sua resistência a calor e a carbono liberado pela queimada já chegava no limite.
deixou ambiente e postou-se a uma distância segura antes que primeiras testemunhas e corpo de bombeiros aparecessem.
ondulação da pira que depósito se tornara era hipnótica.
embriagado por fogo e poder de definir seu destino sem temer quaisquer conseqüências.
decidiu comemorar novo batismo, passagem pra nova vida, indo a bar próximo e exercitando confiança recém-adquirida.
sirene de viatura aproximando-se despertou do torpor, movimentou.
cervejas depois, usando encanto de cão superior que impusera a si com fogo, levou mulher a quarto de motel e exsudou erotismo ígneo que rolava como lava em sistema circulatório.
não queria que fogo se apagasse e assim foi.
consumiu-se na labuta sexual até restar nada além de ossos carbonizados.
mulher estava em transe.
nunca tinha sido tão bem fodida.
guardaria lembrança do encontro com homem que a estragou pra todos outros.
seu sexo abrasado quis saber mais sobre parceiro casual.
ele mentiu como rei. ela deu crédito a cada palavra, inclusive que se veriam outra vez. meia-verdade.
descansou sem preocupação com dia seguinte.
sono profundo e pacífico e restaurador.
acordou 12 horas depois pensando em coisa alguma… só persona gravada em fogo na mente plástica.
