percorrer o mapa e não o território tem sido a solução em dias chuvosos.

os mapas tornam-se cada vez mais elaborados, quase tão ricos em informações e registros quanto a experiência real, pessoal e intransferível.

no limite do percurso traço minhas próprias linhas… tento conter nelas, sintetizar com elas, um metamapa, o mapa pra ler o mapa… um mapa da linguagem como expressão criativa através dos tempos.

uma fagulha de inexplicável pode mudar tudo…

um mistério.

tentativa sobre tentativa de cobrir o território desconhecido levam a um aprofundamento e não a uma solução do problema.

o mistério grassa.

o mistério floresce, colore-se e predomina, mas não é resolvido. há áreas que devem permanecer desconhecidas, não mapeadas.

o recurso da linguagem não é suficiente.

o máximo que pode fazer é reduzir.

o mapa deve ter rios e planícies e acidentes geográficos e construções humanas e inumanas a fim de vencer os limites e resolver o mistério.

mapa e território equivalendo-se, confundindo-se, refletindo-se… imprecisão nos signos, distorções nos desenhos… área ainda a ser descoberta e o poeta cantando o corpo qüântico, indecifrável, diminuto, invisível.

como usar símbolos pra descrever a experiência do não visto?

falar do cheiro, da textura, do gosto, do som é suficiente? informa o bastante? orientados e viciados pelo visual, como reagimos quando essa representação nos é tirada?

farejar as migalhas de pão nos levará ao caminho perdido pelos irmãos?

descobriremos, encontraremos, recuperaremos seus passos afoitos na floresta… o que foi perdido… o que foi ocultado…

como orientar a volta, como testar o solo em busca do cheiro de comida e deparar somente com traços de enzimas digestivas…

a mensagem gravada na areia e apagada pelo vento e pelas ondas continua existindo num plano ideal, no plano em que foi pensada e visualizada, além do material, além dos próprios território e mapa.

há somente a idéia sem coisa alguma que a ancore.

acumulam-se mapas do espírito e da experiência e cabe a cada um contextualizar seus sentidos, suas direções…

num mapa do tempo, a única seta indicativa da direção que ele toma é o decaimento biológico do corpo.

talvez, se avançasse e retocedesse ao mesmo tempo…