mimesis
a maioria das pessoas não aceita que sua ficção seja desprovida de causa.
olha só: se toda ficção é, até determinado ponto, mimesis, deveria ser comum que pelo menos parte dela fosse mais casual, sem foco ou propósito específicos.
se o leitor conseguisse absorver mais sinais do que aqueles permitidos pelo seu imprint, sua programação pra viver no construto social (como eu mesmo vivo), talvez tivesse a percepção certa pra absorver material polifônico, produzido por um fluxo de onisciência…
mas deliro.
já há aqueles que correm atrás da fantasia, do terror como entretenimento.
mesmo assim, só querem o terror explicável.
filmes japoneses desse gênero são interessantes por causa disso.
o terror pode ser mais derivado de uma diferença cultural, da estranheza de um outro construto social, do que do medo primordial em si.
informações às quais não estamos acostumados, que não pertencem ao contexto em que vivemos fluem e incomodam.
