1.5
Lorre sabia como chamar atenção. "Uma cidade desaparecida?", perguntei, pensando logo no pior. "Seria Atlântida?"
-Nada tão glamouroso, sr. Profit. Apesar disso a possibilidade dessa cidade em particular também ter sido tragada pelas ondas não é tão remota quanto eu e meus associados gostaríamos. Trata-se de uma cidade que costumava estar no litoral sudeste de seu país.
"Mas uma cidade? Isso não apareceria nos jornais?" eu mesmo já começava a pensar nas chances daquela história em particular ser verdadeira, mas mantive a boca fechada. o sujeito ainda era um cliente em potencial.
-Nesse caso específico, não. Como já insinuei, é uma situação muito peculiar.
"Há quanto tempo?", consegui forçar-me a perguntar.
-Perdão?… Ah, sim, entendi. A cidade está desaparecida desde 1938.
"E só agora sentiram falta?" era absurdo demais. nem a polícia local pedia que se esperasse 70 anos pra prestar queixa de um desaparecimento. ainda mais de um desaparecimento em massa, como parecia ser o caso. perguntei por perguntar, já que sabia a resposta.
-É um caso especial e algumas informações só poderão ser divulgadas se aceitar a função de encontrá-la.
"Vai demandar muito trabalho de pernas…" falei baixinho, já visualizando o que viria a seguir.
-O sr. será pago, sr. Profit. Regiamente pago. Consideramos seus honorários e estamos preparados pra torná-lo rico em caráter permanente se nos ajudar.
"E quem mais está envolvido nisso? Quem é esse ‘nós’ a que você passou a se referir de repente?"
-Tudo a seu tempo, meu caro. Considere-nos como parte interessada. Será o suficiente.
mais voltas, mais enrolação. tudo o que Lorre me fizera saber era que eu estava prestes a aceitar mais um trabalho estranho.
"Você vai pagar em dinheiro, certo? Não quero ser milionário e receber minha fortuna em vale-alimentação." murmurei. mas ele já tinha me fisgado e sabia disso.
