3.1

January 10, 2008

-A reunião vai ser no escritório dele.- ela disse. distraído, observando a roupa que ela usava no momento (Mira não se fantasiava como as heroínas das hqs, infelizmente… procurava, isso sim, roupas que fossem práticas e não a pusessem em perigo); quase perguntei de quem estava falando, mas daí lembrei.

"Lorre."

ela deu um sorrisinho, depois tomou mais um gole de suco de laranja. foi um sorriso cúmplice, por assim dizer.

-Você também notou a semelhança?

"Até ele sabe disso. Uma das primeiras coisas que me disse foi pra não o chamar assim. Mais um motivo pra não resistir e…" de repente fiquei lacônico. algo aflorou de minha memória recente. "Aquilo que você disse antes…?"

-O quê? Eu falei tanto ontem… não lembro de quase nada.

pensei que era melhor deixar pra lá. de repente foi mesmo uma alucinação auditiva. sobre dar conta dela na cama.

-Ah, isso? Lembro sim.

merda! tou fazendo de novo. achei que tinha superado esse cacoete de pensar em voz alta e agora ela sabe que… peraí! ela disse que lembra! então é verdade!

-Mas não se anime muito. Sexo só depois da missão concluída.

"Por quê?" deixei escapar pela metade. queria perguntar porque eu me tornara aceitável assim tão de repente.

-Pra te estimular um pouco, talvez. Ou por outra razão qualquer que não vem ao caso agora. Faz tempo que sei que as coisas não fazem sentido. Não necessariamente.

ergui a mão e toquei seu rosto. sua pele era dourada pelo sol, perfeita e cálida. ela me olhou de um jeito faminto, passando a língua entre os lábios. dar porrada nos outros pode ser um puta afrodisíaco e a coitada vinha fazendo isso a um tempo considerável sem ter um parceiro com quem se aliviar. entendi na hora o que significava ser um sidekick. e é óbvio que meu cérebro começou a fazer associações engraçadas.

-Ainda não. Vamos parar por aqui.

tinha que admitir: ela conseguia mudar de estação mais rápido que eu. nem por isso a ereção que tinha dentro de meu jeans cedeu.

"Ok. Só não me bata mais, feito? Vamos ver se essa coisa funciona." ela segurou minha mão, entrelaçamos os dedos e, puxando-me em sua direção, me socou bem forte. uf. no diafragma.

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