Labirinto

January 16, 2008

3.3

Filed under: K.I.S.S.

Lorre parecia um sapo grande demais sentado na cadeira atrás da escrivaninha de seu escritório. pelo menos não estava apoiado em seus quartos traseiros nem emitia qualquer ‘wibt’ identificável. nem pegava insetos com a língua… não que houvesse algum inseto presente, claro. só lembrei do jeito que Mira me olhava e a (pouca) simpatia que nutria por eles aumentou… foi um aumento infinitesimal, mas foi um aumento de qualquer jeito. E isso, segundo meus instintos, não era bom.

-Sr.Profit! Vejo que sobreviveu às exigências de nossa estimada vigilante!

as exigências não eram bem de Mira. era condição, isso sim, no contrato formulado pelo departamento jurídico de Lorre, que eu estivesse em boa forma física quando iniciasse a investigação. talvez meu radar pra problemas tivesse soado na hora se não fosse pela proposta de me tornar rico a ponto de eu não precisar mais trabalhar. o que se passa pelo meu senso de perigo, o que devia me alertar pra possíveis armadilhas, é facilmente desabilitado por minha cobiça… como no caso da maioria das pessoas, quero crer.

"Perdi uns quilos, ganhei tônus muscular e melhores reflexos. Tou me sentindo ok, mas ficou a pergunta: por que precisaria estar em melhor forma pra iniciar a investigação?"

quase ia soltando um ‘Lorre’; ia sair naturalmente, mas não quis arriscar a boa vontade do cliente. o dinheiro mexe comigo pra valer.

-Se, como imagino, o sr. conseguir localizar a cidade de que lhe falei, podem surgir contratempos. Daí a necessidade de trabalhar em parceria com a srta. Mira, aqui. Ela deve ser capaz de lidar com as questões fora de sua alçada, além de seu poder.

tinha um quê de desdém na fala de Lorre que me incomodou um pouco. como se ele revelasse, afinal, a verdadeira natureza de nossa relação. eu, porém, tinha aliados ocultos no número necessário pra ser capaz de surpreendê-lo uma ou duas vezes. essa era a primeira delas.

"Afinal, quando você pretende me falar de Peniel, sr. Scarpeta?"

e seus olhos esbugalhados pareceram saltar um pouquinho mais pra fora.

-Como… como é possível que o sr. saiba, sr. Profit? Não lhe disse o nome.

claro que era uma situação parecida com um jogo de truco. o nome apareceu num sonho e aprendi que esse tipo de informação pode ser utilizado a meu favor. depois de sua revelação, fiz minha lição de casa e encontrei a referência certa no livro certo. agora era só mais uma questão de sustentar o blefe e ver o que Lorre contaria. Mesmo existindo a possibilidade dele querer ganhar no grito.

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