Labirinto

January 21, 2008

4.1

Filed under: K.I.S.S.

quase nada.

além de saberem que a tal cidade ficava no litoral do estado, talvez vizinha à área em que estávamos, eles podiam dizer que, bom, havia somente pistas esparsas, relatos de pessoas aparecendo e desaparecendo por um período de 5 anos depois do sumiço comunitário e um único caso de alguém que, desmemoriado, afirmava ter sido parte de um experimento social sem precedentes. esse indivíduo, quando questionado mais minuciosamente, costumava apagar por completo. o primeiro passo, decidi logo de cara, seria encontrar esse sujeito e conseguir tanta informação dele quanto pudesse e, a partir daí, tentar definir a localização da cidade. depois de deixarmos o escritório de Lorre, falei pra Mira o que pretendia fazer e ela sussurrou:

-Sensato. Nem parece o Lucas que conheci há três meses.

como a maioria, Mira me subestimava. acho que faz parte do trabalho de detetive simular um certo grau de estupidez. as pessoas tendem a se abrir mais com aqueles que acham incapazes de prejudicá-las. o bom detetive parte de um punhado qualquer de informação e, como um romancista, vai preenchendo as lacunas até criar uma narrativa que faça sentido. claro que às vezes a história pode ser surreal demais e essa estratégia falhar.

-Pra onde agora?- ela perguntou enquanto ajustava o cinto de segurança. meu impulso inicial morreu na praia. queria sugerir um bar. fiquei com um gosto ruim na boca depois da conversa com Lorre que, achava, precisaria de uma boa dose de álcool pra eliminar.

"Pro escritório." precisava informar Rita dos meus próximos passos e armar uma rede de segurança pro caso de me meter em encrenca. ela manobrou pra fora da vaga e assim que entramos na estrada me veio a imagem de uma comunidade inteira sobre rodas, sempre em movimento, parando somente pra abastecer ou comprar suprimentos. era uma explicação tão boa quanto qualquer outra nos estágios iniciais da investigação. era o que eu gostava dos começos: as coisas podiam ir em qualquer direção. não havia nada gravado em pedra.

-Você tá meio distante. Preocupado?- a voz dela soou como se viesse de outro lugar, de outro planeta, de outra dimensão. cocei a barba incipiente que começava a escurecer meu queixo e neguei com a cabeça.

outra possibilidade me ocorrera mas não havia um fio narrativo que a sustentasse.

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