5.5
Enquanto se retirava mais uma vez pra buscar os documentos de Roberto Maia, percebi que Phillips estava tirando mais proveito da situação que eu.
Ele passou por Mira a caminho do escritório e tocou o braço descoberto com seus dedos gélidos de médico de loucos e fiquei arrepiado.
Será que Mira se sentiria atraída pelos aparentes dotes intelectuais de Phillips?
Sim, porque pelo resto era improvável.
-A Cidade estava em ruínas… fogo no céu… as feras do ar se digladiavam em nosso chão, esturricando o asfalto, derretendo tudo com sua chama… um deles nos defendia dos outros, como um cão de guarda, mas mais selvagem e poderoso.
O sr. Maia parecia preso em seu delírio e lembrei, mesmo assim, do sonho sinistro que tivera algumas noites antes. Explosões sobre uma ilha. Será que daria pra tirar informação útil da alucinação do velho?
Resolvi arriscar.
Chamei Mira e pedi que ela falasse com o homem, já que este havia se identificado com ela. Que lhe perguntasse sobre a Cidade.
Ela foi pro lado da cadeira de rodas e acocorou-se. Sei que não deveria pensar nisso naquela hora, mas uma onda de luxúria varreu minhas outras preocupações e ganhei uma ereção que durou enquanto a memória do movimento descendente de Mira ecoou em minha mente. Ouvi o que ela disse:
-Você foi Velocidade da Luz. O que fazia na Cidade?
-Eu tinha poder. Eu corria… vrooom! Mas rompi a barreira vibracional e não consegui sintonizar a freqüência certa novamente. E agora não corro mais. Na Cidade correr me rejuvenesce e aqui sou velho de novo.
Continuava fazendo pouco sentido. Se pelo menos eu tivesse lido mais gibis enquanto crescia ao invés de estudar… talvez fizesse idéia do que ele falava. Mira, por outro lado, parecia entender, o que me tranqüilizou um pouco.
Pedi que ela perguntasse do ‘fogo no céu’.
-Muito ruim. Pessoas mortas nas ruas. Depois da batalha levou muito tempo pra limpar tudo e organizar a Cidade pra ser o futuro.
Mais besteiras. Talvez pesquisar o material e a tipagem dos documentos desse resultados melhores. Mas o velho não tinha terminado. Ele parecia estar falando do tal ‘cão de guarda’, agora.
-Gauge nos ocultou. Escondeu a Cidade numa dimensão de bolso.
