Labirinto

May 4, 2008

5.6

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“Dimensão de bolso?”

Por algum motivo as palavras ecoaram na velha cachola. Não sou conhecido por associar idéias dispersas, mas quando tem eco mental é um sinal claro de que as sinapses ameaçam trabalhar.

Enquanto olhava o velho afundando em meu estupor, Phillips voltou. Pelo menos tinha diversão garantida assistindo a ele correr de um lado pro outro tentando cair nas graças de Mira.

Tinha também aquela promessa de sexo feita por ela que fazia eu me sentir numa situação melhor que a de Phillips. Mas não tinha pena dele, não. Além de ganhar um autógrafo, o sujeito ainda tinha as tias e os gatos pra quem voltar no final do dia.

Eu tinha minha cadeira de papai, o escritório, Rita e, quando os horários infernais dela permitiam, Izzy. Uma das vantagens de ter um caso com um demônio, aliás, é que você não se sente culpado e conceitos como o de traição perdem um bocado de sentido.

Vi que a boca de Phillips se mexia e comecei a prestar atenção quase imediatamente.

-É tudo que temos dele.- foi o que disse, estendendo um envelope pardo e gorducho na minha direção.

Perguntei se podia ficar com o material por uns  dias. Mira desistiu de ouvir mais sobre o cachorro guerreiro do sr. Maia e levantou-se. Como resposta à minha pergunta, Phillips estendeu seu exemplar de TROVÃO E DELÍRIO pra ela e foi tão ousado quanto se podia esperar dele.

-Dedique a H.P. e, se não for pedir demais, anote seu telefone.

Ela me olhou com fogo nos olhos, do tipo que só deixa cinzas depois de sua passagem. Só consegui dar de ombros e sorrir sem graça, tentando lhe dizer que era por uma boa causa sem usar palavras.

-Claro, por que não?- ela disse, e era possível ouvir seus dentes rilhando enquanto escrevia na página de rosto com força suficiente pra perfurá-la.- Pelo menos consigo um sparring extra- acrescentou baixinho em um tom assassino.

Pensei que Phillips se jogaria a seus pés a essa altura e urinaria nas calças de felicidade, mas ele manteve a compostura. Disse-lhe que voltaríamos em dois ou três dias pra devolver o conteúdo e, talvez, tentar uma nova entrevista com o sr. Roberto Maia.

No momento em que fomos embora, tudo que ele fazia era mostrar os dentes e concordar com a cabeça, como um chimpanzé treinado.

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