Labirinto

May 8, 2008

6.3

Filed under: K.I.S.S.

Antes que pudesse pronunciar ‘Aleister Crowley’ me vi no meio daquelas idas e vindas de que Lúcio gostava tanto.

Misticismo.

Tem quem acredite, tem quem despreze e tem quem, como eu, fique na dúvida. Sim, o fato de me relacionar com um demônio deveria fazer tudo muito claro, cristalino mesmo, mas não é assim que a mente humana funciona.

Do mesmo jeito que sou capaz de fazer uma exceção e ‘aceitar’ a existência de Izzy, desconfio de minhas percepções embasado não na magia, mas na ciência. Valei-me S. Heisenberg!

Tenho conseguido viver razoavelmente são desse jeito.

Mira desconsiderou o que Mosca disse, pegou o envelope com documentos de minhas mãos e estendeu na direção dele. Mosca fez um negócio que julguei inusitado ao abrir o envelope: colocou-o sob as narinas e aspirou.

-Cheira à flutuação Persinger-LaFreniere. De onde veio isso? Do Triângulo das Bermudas? Não, não responde! Apareceu do nada!

O esquisito mesmo era o cara fazer esse tipo de dedução pelo olfato. Segundo minha parcamente informada memória, que consultei no momento em que ele mencionou ‘Triângulo das Bermudas’, tive a certeza de que não se tratava de um objeto geométrico com gosto duvidoso pra roupas, mas sim da área mítica em que aviões e navios desapareciam.

Por que ele diria que os documentos vieram do nada? Fiz o esforço necessário pra articular a pergunta.

-Essas coisas vivem se materializando por aí.- Mira aproveitou essa resposta de Mosca e acrescentou:

-Só que o dono deles se materializou junto. Tem como determinar de onde veio? Quer dizer, examinando o material de verdade… se só cheirando você conseguiu deduzir que veio de um lugar como o Triângulo, imagina o que vai poder dizer colocando sob um microscópio?

Mira tinha mais jeito de descolar informação que eu. A massagem que fez no ego de Mosca, embora breve, foi eficaz e ele logo estava sobre os documentos todo animado.

Antes de colocar um selo solto na língua, disse qualquer coisa sobre nos contatar em breve com os resultado e que o daemon nos acompanharia até a porta.

Muito estranho.

Pelo menos durou pouco.

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