Labirinto

May 11, 2008

7.2

Filed under: K.I.S.S.

O que propus a Mira enquanto comíamos não era exatamente ético, mas pra nossa própria segurança.

Não conseguia deixar de pensar em Lorre e sua ‘alegre família’ como uma versão mais coesa de ‘A aldeia dos amaldiçoados’. O escritório kafkiano e todos aqueles olhos saltados gritavam encrenca pra qualquer um que estivesse prestando atenção.

-Mas é ele quem paga as despesas, Profit! Ce acha certo usar os recursos do cara pra investigar ele mesmo? Não me parece…

Interrompi.

“Sei o que estou fazendo. Não é certo também que ele deixe a gente no escuro quanto a seus motivos. Ou você não percebeu que em momento algum Lorre disse por que quer encontrar Peniel?”

Isso deu um jeito temporário na situação.

Mira parou pra pensar e viu que eu estava certo. Ele não tinha dito coisa alguma. Nós presumimos que fosse alguma besteira arqueológica qualquer, uma curiosidade, uma coceira.

Além disso, a cortina de fumaça de dinheiro que ele interpôs logo cedo nas nossas contratações respectivas tinha servido muito bem a seus propósitos.

-E como a gente vai agir, então?

Era uma preocupação legítima mas eu já tinha pensado nisso.

“Do jeito de sempre. Vamos fazer campana.”

Ela não ficou muito contente. Mira não estava acostumada com o trabalho de detetive. Seu negócio era espancar malfeitores, um trabalho muito mais muscular. Prometi a ela que antes que pudesse notar estaria batendo em alguém e isso serviu pra acalmá-la.

-Quando começamos?

“Amanhã. A gente começa cedo e vai até o fim do dia, certo? Queremos descobrir como é a rotina de Lorre e seus clones. Se tudo der certo, vamos saber porque todo mundo é tão parecido.”

Nos despedimos. Ela deve ter ido bater em alguém pra clarear as idéias e eu desci as ruas devagar e a pé, pensando no que ia acontecer. A seguir, bolando inclusive uma justificativa plausível pra dar a Lorre no caso de sermos flagrados durante a vigilância.

Fui parar no Orquidário. Um riozinho artificial, um córrego pra ser mais exato, lustrava pedras arredondadas, simétricas e me fazia desviar dos problemas que me preocupavam no momento.

Pisquei os olhos três vezes diante da silhueta dele(a) só pra ter certeza do que estava vendo.

Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Jay of onefinejay.com