Labirinto

May 16, 2008

7.4

Filed under: K.I.S.S.

‘Noosconferência’, ‘noosfera’… novamente palavras misteriosas. Tentava associá-las com alguma outra coisa ouvida antes, mas com a chuva me encharcando minha memória, muito simples, deu pau.

Apesar de achar pouco sentido nisso, ao chegar em casa tirei as roupas e tomei uma chuveirada digna de nota. Vesti shorts, zapeei a tevê, lembrei que precisava me exercitar um pouco (mas deixei pra depois) e ao invés disso fui checar meu emails.

A pasta de spams cheia de propostas pra aumentar uma parte de minha anatomia de que nenhuma mulher ainda se queixara e, na caixa de entrada, mensagens de Rita dizendo que tudo ok, significando que a rede de segurança estaria no lugar em caso de necessidade, e outras descrevendo passo a passo a rotina do escritório.

Lorre ligou uma vez; Phillips, três. A imitação que Rita fazia de Mira aparentemente convenceu. A ligação mais longa durou trinta minutos e terminou com Phillips arfando, como numa crise de asma.  Dei o reply e sugeri que ela lesse “Trovão e delírio” só pra garantir.

A outra mensagem era daquelas que a gente recebe quando envia um email que não chega ao destinatário: maillerdaemon. Não lembrava de ter mandado mensagens no dia anterior e abri.

Curiosidade, impulso, chame do que quiser. Em sincronia com o que Chuva tinha me dito, eis que ressurge do limbo meu amigo Lúcio.

No texto, frases como ‘Forças de outra esfera estão atuando’, ‘Precisamos falar com Vladmir’, ‘Vamos beber até cair’, ‘Tenho que te apresentar a profissional que conheci’ e ‘Já ouviu falar de Teilhard de Chardin?’. ‘P.S.: Qualquer palavra nova que apareça, tente a wikipédia ou o google. Comigo sempre funciona.’

Decidi fazer exatamente isso quando acordasse no dia seguinte. No momento só podia ir capengando pra cama e torcer por uma noite de sono tranqüilo.

Desliguei o laptop, levantei e ia fechar a janela quando vi no terraço do prédio fronteiriço uma figura longilínea toda de preto. Do tipo que era possível reconhecer, mas eu não conseguiria situar de onde tão cedo.

Ele apontou um dedo na minha direção e depois elevou-o ao olho esquerdo. Quem quer que fosse era canhoto. Então começou a correr pelo terraço, dando a impressão de que ia tentar se jogar por minha janela, e pulou…

Fechei os olhos esperando ouvir o som caótico de vidro se quebrando. Quando olhei de novo, tudo continuava em seu lugar. O sujeito tinha sumido. Isso estava se tornando perturbadoramente freqüente.

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