Labirinto

May 17, 2008

8.1

Filed under: K.I.S.S.

Acordei moído ainda pela manhã, com a impressão de ter passado a noite em claro.

Chuveiro, refeição matinal – saudável, claro - , higiene bucal e pronto.

Estava olhando a tela iluminada do laptop outra vez. O número de resultados pra ‘noosfera’ no Google era de 136.000. Não me preocupei em procurar por Teilhard de Chardin porque o primeiro link em que cliquei já levava ao verbete dele na Wikipédia.

Sabia que o nome era familiar. De algum lugar. Meses antes, lendo a introdução de uma coletânea de entrevistas e conferências de MacLuham, encontrei com ele.

O sujeito foi um tipo de profeta da era digital e tinha previsto, antes da existência de qualquer computador, uma esfera de existência que não se tornaria real sem as outras duas.

Informado e novamente capaz de livre associação de idéias, vesti uma roupa confortável e escolhi tênis com a mesma finalidade.

Abri a janela tomado pela sensação de que, de repente, alguém entraria por ela.

O telefone tocou. Eram 8hs. Quem seria tão cedo? Ainda mais ligando pro meu número particular. Era Mira. Ela parecia estar forçando um pouco a entonação de voz quando disse:

-E aí, Profit? Você desce ou eu preciso ir te buscar aí em cima?

O que aconteceu na seqüência me abriu os olhos. Mira entrou pela janela e não tinha nenhum celular à mostra. Ainda assim continuava falando comigo ao telefone.

-Eu tava pensando na gente partir logo pro que interessa, sabe?

A única pessoa que imitava Mira instruída por nós estava me passando trote! Eu precisava arrumar mais coisas pra Rita fazer, certamente. Disse pra ela:

“Espera um pouco.” E passei o telefone pra Mira.

-Quem ta falando?’- ela disse daquele seu jeitinho matinal mal-humorado e a seguir- Bom, quem quer que fosse desligou. E aí, Profit? Dormiu bem? Passei a noite atrás de um ladrão de carros.

Depois eu ia tirar sarro de Rita. Agora queria perguntar pra Mira uma coisinha.

“Quem você conhece que é magro, alto, se veste de preto da cabeça aos pés, age a noite e pula de telhado em telhado?”

-Magro, alto e de preto? O Garça Negra, acho. Por quê?

Contei pra ela da noite anterior. Pareceu intrigada e disse:

-Será que ele saiu da aposentadoria, afinal?

E eu nem sabia que ele tinha entrado nela.

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