11.1
Dormi até mais tarde na manhã seguinte ou foi o que pensei… na verdade tinha dormido o mesmo número de horas de sempre, mas fui pego desprevenido pelo horário de verão, uma das idéias mais cretinas que alguém jamais ousou ter.
Só me ocorreu que era domingo ao checar a programação da tevê.
Pensei comigo mesmo que talvez não fosse muito inteligente ir visitar o asilo no domingo, que poderia adiar pra segunda. Lembrei de Rita na hora. Liguei o laptop, entrei no MSN e lá estava ela em toda sua glória e esplendor.
Reproduzo abaixo nosso diálogo digital:
LPROFIT: Oi, Rita. Ainda mantendo contato com o maluco da clínica Providência?
MISSRAYWORTH: Chefinho!!! Claro que sim! Trabalho é trabalho.
LPROFIT: Será possível visitar o velho ainda hoje?
MISSRAYWORTH: Tudo é possível pra Mira Bandeira! Você quer que eu ligue pro Phillips e marque?
LPROFIT: Você é um amor, Mira. Digo, Rita.
MISSRAYWORTH: Ih, chefinho, ainda me confundindo com a outra, é?
LPROFIT: Depois a gente conversa sobre seu trote, mocinha. Liga lá pro pervertido e marca uma visita pra tarde, ok?
MISSRAYWORTH: Você manda. E ele é doidinho de pedra, mesmo. Da última vez que fizemos sexo por telefone ele me pediu pra chamá-lo de Yog-sothoth.
LPROFIT: Tem alguma coisa a ver com sexo tântrico, isso? Ioga?
MISSRAYWORTH: Não, chefinho. É o nome de um monstro lovecraftiano.
LPROFIT: Bom, tem a ver com amor, então. Não pode ser tão ruim.
Falamos mais algumas amenidades mas Rita pareceu ao mesmo tempo mais irônica e distante que antes. Desliguei o laptop antes de tomar banho e comer qualquer coisa… queria um pão ou algo parecido, carboidrato pra pôr a cabeça em funcionamento, mas só tinha granola, frutas, leite e outras merdas saudáveis. Me exercitei um pouco com abdominais e flexões. Queria estar em ponto de bala quando fosse enfrentar o desafio kamasutriano que Mira provavelmente representava.
Desci e fui até a padaria tomar um expresso. Desceu suave e espanou os restos de sono dos meus olhos. Na banca peguei o jornal local e voltei pro apê. Na página policial tinha notícias dos meus amigos, como sempre, apesar de ninguém citá-los nominalmente.
