Labirinto

July 7, 2008

11.2

Filed under: K.I.S.S.

Além dos contatos no mundo oculto, Lúcio era camarada de pelo menos um delegado de polícia que, por sua vez, conhecia outros tantos e sempre dava uma aliviada quando pegava meu amigo em alguma atividade, hrm, ‘ilícita’.

Na última vez em que o encontrei, Lúcio andava meio apavorado com as conseqüências de ter ajudado uma tal Penélope. Aparentemente o carinha que comandava a operação de cafetinagem que cooptou a mina era pica-grossa demais até pro Lúcio.

Ele me pediu que intercedesse com a Izzy pra que ela ajudasse, apesar de eu não ter a mínima idéia de como ela faria isso. Quer dizer, como um demônio polissíndeto ajudaria um exorcista? Não é meio que um contra-senso um exorcista pedir ajuda ao demônio? Enfim, a manchete de jornal dizia algo na linha de ‘ocultista conhecido pode estar envolvido no desaparecimento de adolescente’.

O que me deixava com a pulga atrás da orelha.

Se Lúcio, um dos componentes da minha rede de segurança, estava com problemas, com quem eu poderia contar, então?

Fechei o jornal e fiquei olhando pra janela sem ter idéia do que fazer a seguir. Os ponteiros do relógio estavam quase simetricamente sobre doze horas quando o telefone tocou. Era Rita fazendo o que sabe fazer melhor, mas desistiu de cara da imitação de Mira quando pedi a ela que localizasse uma pessoa pra mim. Meu tom de voz deu o serviço.

- Ele? Tem certeza, chefinho? Esse cara não é perigoso?

“É, sim. Só que tou com poucas alternativas no momento, entendeu?”

- Tudo bem. O Phillips vai esperar vocês no fim da tarde. Precisa contar pra Mira o grau de intimidade que eles têm agora.

“Diz você. Foi você que começou a fazer sexo por telefone com um cara velho o bastante pra ser seu pai.”

- Dá o telefone dela, então. Vai ser divertido. De qualquer jeito, eu estava seguindo ordens.

Desliguei. Eu sabia que na seqüência ia ter que ouvir reclamações justificadas de Mira. Pelo menos as coisas ainda estavam em movimento. Depois eu ia precisar dar um jeito de ajudar Lúcio. Talvez contatando Vladmir e soltando alguma grana pra polícia.

Me estiquei no sofá e tentei cochilar um pouco.

Decisão acertada.

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