Labirinto

July 14, 2008

11.3

Filed under: K.I.S.S.

O tipo de situação que eu vivia sem saber era típica da guerra. Soldados dormem e comem sempre que podem, não por terem sono ou fome, mas por não saberem quando e se vão ter a oportunidade de descansar ou nutrir-se quando começar o combate.

Meus ‘patrões’ me condicionaram direitinho e eu não tinha noção da enormidade da merda em que estava metido.

Sonhei e talvez por ter pensado nela há pouco, Izzy veio a mim. Sussurrou palavras suaves em meu ouvido e me confortou o melhor que podia dizendo que eu estava fazendo tudo certo mesmo que por meios incompreensíveis prum observador externo.

Beijou minhas faces, meus olhos, minha testa e disse que eu deveria lembrar dos cravos e andar sempre com eles. Então ela disse uma palavra, só uma, e reforçou várias vezes que eu deveria ‘tentar lembrar’ dela, que se dita pela pessoa certa poderia resolver mais de um problema e, quem sabe, ser a chave secreta do sucesso de minha missão mais recente. Perguntei a Izzy qual era seu interesse nisso, já que ela estava do ‘outro lado’.

Ela sorriu e segurou minhas mãos e olhou em meus olhos enquanto um barulho distante me arrastava de volta à consciência.

O telefone continuou tocando mesmo enquanto eu desejava com todas as minhas forças que ele desaparecesse, implodisse, e que as linhas, cabos e todo o aparato que conecta uma pessoa à outra simplesmente deixasse de existir.

Era Mira, a verdadeira. Eu soube porque ela estava puta comigo, com Rita e com Phillips.

“Você só tem que fazer de conta, Mira.”

- Sexo por telefone, Profit! Sua estagiária finge que é eu e transa com aquele esquisito e agora você quer que eu diga que foi comigo? É muita escrotice sua!

“Ossos do ofício, Mira… você nem precisa tocar no cara, até porque ele não parece interessado na experiência legítima…”

-  Filho da…!

“É sério. Você pode até ignorá-lo. Depois a Rita diz que foi um joguinho sexual qualquer e pronto.”

Mira se acalmou mas tive que ir pra clínica Providência de ônibus.

Vou te contar, pegar ônibus no fim da tarde de domingo não é fácil.

De qualquer jeito, Mira estava me esperando do lado de fora no bandeiramóvel. Ela deixou o carro na calçada mesmo e entramos a pé pelo portão de pedestres. Tudo isso no mais absoluto silêncio.

Avistamos Phillips no prédio principal da instalação e ele acenou expansivamente pra nós. Nos encontramos quase no meio do caminho, tamanha a ansiedade do amigo iogue de Rita. Talvez Mira não segurasse a onda e desse um sopapo no escroto.

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