12.2
A barata, descobri logo que encontramos Mosca atordoado, sobrancelhas chamuscadas, era o tal daemon. Mosca e barata. Que dupla!
O raio que tinha transformado os papéis de Roberto da Maia no anel de Velocidade da Luz quase desfez a cura miraculosa pela qual Mosca passou tempos atrás.
A pele de seu rosto estava avermelhada até o topo da cabeça. Não foram só as sobrancelhas que fugiram do perigo. Ah, e ele ficou um pouco mais lesado que o de costume.
- Nunca pensei que ia ver um troço assim: tava examinando o material no microscópio e vi, literalmente, a matéria se rearranjar! Nem os alquimistas tentaram transformar vegetal em mineral! Se bem que não estou levando em conta os coprólitos! Um campo Persinger-LaFrenière se abrindo e fechando sob meus olhos! Não tem dinheiro que pague essa experiência. Muito obrigado!
Ele falou, nós ouvimos, mas pressa era a palavra de ordem.
Pegamos o anel e Velocidade da Luz, bom, o “vestiu”. Não faz muito sentido, certo? Ele colocou o anel no dedo, sussurrou qualquer coisa e o metal começou a se comportar como líquido, cobrindo todo seu corpo, exceto a cabeça, com uma película dourada… ele não precisava mais de calças se é que isso interessa. O metal produzia também um design na pseudo-pele que imitava as linhas de costura dos tecidos mais finos.
Já estávamos de saída. Os cabelos azuis e o corpo dourado de Velocidade da Luz chamariam atenção quando chegássemos ao plano mais corriqueiro do centro da cidade e abandonássemos a iluminação bizarra do refúgio de Mosca.
Nem tive tempo de mencionar isso.
Mira e Velocidade da Luz já estavam no bandeiramóvel. Entrei e sentei no banco do passageiro ao lado da motorista. A energia que Velocidade emitia continuava funcionando como eletricidade estática pros meus pêlos e eu estava outra vez arrepiado.
- Pra onde agora? – ela perguntou olhando nosso carona pelo retrovisor.
“Talvez eu deva opinar sobre isso…”, consegui murmurar, já ciente de que não seria ouvido. Precisava dar um jeito de falar com Rita, de saber se ela conseguira fazer o que pedi. Precisava ganhar tempo, também, porque, apesar de as coisas estarem progredindo rapidamente pra sua possível conclusão, ainda não tinha esquecido que Lorre era um gluón, que Velocidade da Luz era amigo do inimigo do contratante e que estava nos levando diretamente a ele.
