15.5

December 30, 2008

Eu tava ligado a uma máquina construída com o objetivo de fazer seu usuário atingir a iluminação harmonizando as ondas cerebrais. Como já tinha sugerido antes de um ponto de vista externo, ao contrário da inserção no gabarito virtual, tudo que acontecia nas redondezas era captado sem muito esforço pelos meus sentidos.

Reconheci Mira e seus movimentos e seu calor e sua firmeza e a textura de sua pele… Mira estava em meus poros e eu a toquei com minha ‘mente’, que se estendia em várias direções a partir de meu corpo, como um periscópio, melhor, como tentáculos… envolvi Mira num abraço invisível, girei-a como o desenho de um objeto geométrico na tela de um computador, mas ela era carne e osso e sangue e cabelos, e era o olho de minha consciência, não uma máquina… Mira era exatamente o que aparentava: força e disciplina e espontaneidade. O mundo a tinha como ela era.

Chuva, por outro lado, era um fractal (brigado pela pesquisa, Rita). Como  cumulus nimbus, sempre mudando de forma, mas com um propósito e só um. Tudo e/ou todos que eram Chuva viviam sob o mesmo preceito de ‘proteger e servir’. Muito estranho. Quem diria que um bêbado, sem-teto e, possivelmente, esquizofrênico, teria ideais tão nobres? Não eu. Havia muito mais em Chuva do que se poderia acompanhar a olho nu.

Roberto Maia ou Velocidade da Luz. Vê-lo despido de seu exterior era como ver eletricidade viva, semovente, uma carga eterna, energia vindo sabe-se lá de onde num looping interminável… o ambiente alimentava o relâmpago vivo que, a seu modo, retribuía. Energia é matéria.

O que fiz a seguir foi inconseqüente. Tendo tocado os outros presentes, voltei minha atenção ao menos nobre na sala. Quem estava ali por lucro?

Lembrei de muitas coisas ditas e feitas e de minha biografia vergonhosa. Olhar pra mim mesmo era algo que eu tentava evitar até quando me barbeava. Eu costumava justificar minha atitude com relação ao que era externo falando da ‘vida’ como uma entidade consciente e responsável por tudo. ‘A vida não me tratou bem’ e tal. Como se fosse algo de que eu não fizesse parte, que não me pertencesse, sobre a qual não exercia nenhum… o quê? Controle? Poder? As palavras erradas. Participação se aproxima mais do conceito em que quero chegar. E naquele momento em que a conveniência de minhas ações passadas perdia sentido frente à grandeza, à nobreza das pessoas ali, na sala, entendi que a vida é um rio em que se mergulha no momento em que o zóide fecunda o óvulo e que sempre muda, sempre se expande em direções inesperadas, acrescentando outros indivíduos à convivência, outros ingredientes à aventura… e esse entendimento causou, como é a palavra?, minha primeira e talvez única epifania.

Eu era parte de algo maior e fora de meu controle. Olhando pra mim mesmo percebi as conexões com o exterior que na verdade me definiam. Algumas muito próximas, outras estendendo-se para além de Peniel. Eu era parte da anima mundi, e deuses e demônios sacudiam-se em minhas tripas. Lembrei do orquidário. Dos pés nus enfiados na terra e do fluxo de energia. Meu templo é a natureza, meu corpo é meu templo, eu sou meu corpo, eu sou a natureza.

Neurofeedback tornou-se biofeedback. E tudo passou a ser muito mais simples.

Resgatei informação obtida por Izzy que se esforçou tanto pra me encontrar em quandures, no ventre, e a entendi também. Coisa alguma deve extinguir-se. Não deve haver extinção, mas mudança, transformação.

Estava tão satisfeito com minha compreensão do todo que estendi o alcance de minha percepção através das conexões das conexões presentes e toquei a mente do homem escuro e longilíneo, portador do medo.

Era um homem ou uma ave?

Uma ave negra, asas com uma envergadura inconcebível. Bem e mal compreendidos numa única entidade que não divulgava ou negava suas verdades. A aceitação do homem-ave,  ave-humana foi algo assustador… sua vida era um choque. Transitava entre céu, terra e mar, talvez, também, no fogo. O mar era o… submundo? O inconsciente? A ave predava… peixes? Criminosos? Pesadelos?  A ave era um símbolo ou algo real… alguém real?

E de repente, sem transição, como num videoclipe mal planejado, meus olhos se abriram pela não-sei-quantésima vez, mais um na fieira de despertares em Peniel, e não sei quantos ainda por vir, e eu e Roberto e Mira e Chuva o fractal, todos nós andando em direção a Gauge, ao lobo e suas belicosidade e dimensões de bolso.

- Tá se sentindo diferente, Profit? – ouvi a voz de Mira que também era minha voz.

- A-hã. Mas não de verdade. É como se eu calçasse os sapatos que usei a vida toda com uma única diferença: finalmente eles me servem, não machucam mais, sabe? Sou o que sou.

15.4

December 19, 2008

Sim.
 
De repente a supercidade com toda tecnologia em que eu podia pensar e um pouco além, altíssimo grau de civilidade, foi invadida por hunos foderosos. A explosão entusiasmada dos bebuns durou até alguém pagar a próxima rodada pro grupo todo em, cê sabe, comemoração pela guerra iminente, o que os fez voltarem suas atenções às bebidas que era, afinal, o objetivo de se reunirem ali. Beber e esquecer… minha fama foi temporária mesmo, nem chegou perto dos tais quinze minutos lendários.
 
Quando dei por mim, Mira e Chuva já tinham me conduzido pra fora e atravessávamos uma ponte suspensa, coisa de filme spielberguiano, que não dava em lugar algum. A ponte simplesmente desaparecia no que eu achei serem nuvens. Com formatos gozados, antinaturais, mas ainda assim… nuvens.
 
Entramos na fofura aérea e eu pude ver o outro lado, o porto seguro com chão sólido em que pisar. A sensação firme e nada balouçante sob meus pés me devolveu o fôlego necessário pra falar.
 
"Então, quando vamos pro nível superior?"
 
- Ai, Profit, você é tão engraçado às vezes, sabia? Não sei como consegue ser detetive tendo essas crises de desatenção!
 
É, Mira tirava prazer, também, de divertir-se às minhas custas. Tadinho de mim!
 
- Bono, nós já chegamos, cara! Não tá vendo a luz? Era aqui que os deuses queriam a gente desde o começo. À direita de Gauge.
 
Chuva continuava falando coisas sem sentido. Era sua natureza de ‘iluminado’, acho. A cabeça encharcada de bebida e outras substâncias e/ou organismos obedecia regras diferentes, suas conexões mentais, as associações que fazia, eram só suas.
 
"E a gente vai ver o tal Gauge ainda hoje?"
 
- Antes vamos buscar Velocidade da Luz. A essa altura ele já deve ter matado a curiosidade de todo neurobiólogo local.
 
O nível superior era, como os outros já familiares de Peniel, diferente. Não era um troço do tipo ficção científica e ao mesmo tempo essa seria a aproximação mais correta de se fazer. Lembrava um pouco um hospital idealizado por Hollywood, ou o Céu de celulóide: muito branco, muita luz, o que tornava a visão difícil e a descrição, por conta disso, impraticável.
 
As paredes das construções não pareciam produto de engenharia ou mão-de-obra. Era mais como se tivessem sido cultivadas com paciência. Ao tato o material lembrava, sei lá, algo orgânico, vivo, mas não tou pensando em vida vegetal ou animal… algo entre as duas… fungo, talvez?
 
No fim do corredor, mais brancura e luz difusa. Antes que eu pudesse abrir a boca e perguntar como a gente saía dali ou se tínhamos errado o caminho, se precisávamos dar meia volta e assim por diante, Mira acariciou a parede, desenhou um símbolo invisível em sua superfície e batucou três vezes com o indicador, como se teclasse uma senha num keypad. A parede emitiu um som parecido com o ronronar de um gato e fui surpreendido de novo: nenhuma porta abriu ou deslizou como nos filmes ou séries de fc… só fez um troço que bagunçou ainda mais minha percepção mas ao qual já devia ter me habituado desde que escorreguei Peniel adentro. Havia uma parede no fim do corredor e, então, não mais.
 
Encontramos Velocidade da Luz sentado num cubículo e preso a um equipamento de aparência ameaçadora, pesada. Um parente mais sofisticado dos óculos e eletrodos e banheira com gosma que me conectaram ao gabarito, acho. Ao contrário do que imaginei, ele nos percebeu assim que nos aproximamos.
 
- Ah, enfim meus companheiros de viagem me encontraram! Que reunião feliz!
 
"Pra que serve essa tralha, Roberto?"
 
- Por favor, me chame de… esqueça. Essa ‘tralha’ é uma invenção do mundo exterior que nossos neurobiólogos importaram e aperfeiçoaram. Equipamento de neurofeedback.
 
"E serve pra quê?"
 
- Harmonizar as ondas cerebrais. Eles me recomendaram sessões de neurofeedback depois de minha experiência no exterior. Quer experimentar, Profit? Vai te fazer bem.
 
"Bom, parece que funciona, não? Primeira vez que te vejo relaxado desse jeito, Betão!"
 
É, pra quem tinha conhecido Roberto Maia no Lar Providência e aos cuidados do pegajosíssimo Phillips (pré-raio), aquele ali era realmente um novo homem. Mesmo depois de voltar à sua ‘forma real’ como ele gostava de dizer, Roberto tinha uma aura mais dramática do que agora. E eu precisava colocar as coisas em perspectiva. Como pensei que o negócio não era perigoso, deixei Velocidade da Luz prendê-lo à minha cabeça.

15.3

December 8, 2008

Chuva, o espantoso espantalho etílico, lançava perdigotos em arco sobre os presentes que tinham o azar de estar ao seu alcance, melhor, ao alcance de sua saliva. Mira tinha razão: o ar estava prenhe com a tensão de Chuva. Dava pra sentir, como eletricidade estática erguendo cabelinhos quase imperceptíveis na nuca. Chuva era uma criatura do clima, mas não imaginei que ele seria capaz de afetar a atmosfera artificial de Peniel. Mais uma vez estava errado. Nenhuma novidade nisso.

"Mira, eu vou chegar no Chuva pra ver se consigo acalmá-lo. Daí a gente sai desse nível e vai prum lugar mais tranqüilo."

- Copiado, Profit. Tou na sua retaguarda.

Bom, aquilo invertia a ordem que eu tinha imaginado pra entrarmos no recinto apertado, apertado… motivos egoístas, evidente. Esperava tirar uma casquinha de Mira com ela indo na frente e eu esbarrando em sua guarnição traseira como quem não quer nada. Deu quase na mesma, mas era sua linha de frente que esbarrava em minhas costas. E eu parava de propósito, claro. Claro, também, que o contato macio do corpo de Mira com o meu me deixava com sobrecarga de orgones e a cor de minha pele mudava da natural mescla de índios e europeus pruma antinatural cor azulada. Energia sexual azul, nada menos. Se precisasse voar do local já tinha combustível.

Chuva ficava cada vez mais agitado e, bom, ‘choviam’ cada vez mais perdigotos nos passantes inocentes. Até que demorou pra alguém se irritar com a situação. Chuva obviamente não fez de propósito, mas sendo ele um instrumento dos deuses e sem fazer a mínima idéia do que se passa por humor pra essa canalha, a coisa toda pareceu coincidência demais quando aconteceu.

Eu tinha, afinal, conseguido chamar a atenção de Chuva com uma gesticulação excessiva, muito parecida com um ataque epiléptico que acometesse somente os braços e ele ficou em pé na mesa de imediato, sorrisão de reconhecimento na cara amassada. Só que ao levantar, chutou a bebida de alguém. E derramar o drink alheio é o tipo de ofensa que demanda sangue como pagamento.

O sujeito em questão, adversário imediato de Chuva, era cerca de trinta centímetros mais alto que ele. Sua massa muscular recobriria o esqueleto de meu amigo com porte de cabide umas três ou quatro vezes. Não, ele não pertencia à elite superhumana de Peniel, era só mais um dos noventa e cinco porcento dos normais. Nem por isso era menos assustador. A mão do indivíduo era do tamanho exato da minha cabeça. Como eu sei disso? Vai lendo.

O cara levantou pronto pra socar meu amigo (?) bêbado e fedorento. A esta altura eu estava próximo e azul o bastante pra interferir. E, inacreditavelmente pra quem me conhece, foi o que fiz. O sujeito soltou um gancho demolidor com a direita que certamente arrancaria a pouca carne que restava nos ossos de Chuva e eu, cheio de tesão e vontade de impressionar Mira, aparei o golpe com minha cara. Agora você sabe.

Contrariando as leis da física, particularmente da entropia, e todas essas paradas de vida e morte, não apaguei, nem desencarnei. Só vi umas faíscas azuis saindo do ponto de contato entre sua mão enorme e meu rosto dolorido. Ah, sim, eu caí sentado no que, gosto de pensar, era bebida empoçada no chão. A alternativa pra justificar meus fundilhos molhados seria admitir que mijei nas calças de novo.

Confusão armada, Mira, a espancadora profissional, distribuiu um punhado daqueles golpes bonitos e elegantes que só ela sabe dar, abrindo espaço pra Chuva ajudar-me a levantar. Em pé, percebi que minha pele voltara ao tom normal e que minha cara só ficaria azul de novo quando os hematomas pretos em volta dos meus olhos começassem a esmaecer. Alguém gritou:

- Porra! Esse aí não é o tal detetive?

Cara, que surpresa! Eu era famoso em Peniel e não sabia! E um segundo elemento soltou:

- Se não é, parece. Ô, idiota, foi você que os glúons contrataram pra achar a Cidade? Foi você que trouxe esses alienígenas escrotos pra acabar com nosso sôssego?

Não era nesse tipo de fama que eu tava pensando, claro. Era linchamento na certa. Já podia antecipar as fraturas expostas e alguém usando meu crânio rachado como penico. Daí eles me tomaram das mãos de Chuva e me ergueram no ar, acima de suas cabeças. E a gritaria recomeçou.

- Viva o detetive idiota! Até que enfim a gente vai ter uma coisa diferente pra espancar além de nós mesmos! É o fim do tédio, porra!

Puta que o pariu! Que foi que eu fiz?

15.2

December 1, 2008

…Mira me agarrou pelo colarinho e colou seu corpo morno, firme, voluptuoso ao meu. Mais um flashback? Afinal, a gente estava em Peniel ou no gabarito? Onde quer que fosse, era um espaço público. Não, não me envergonhei, nem mesmo quando minha ereção se manifestou e tocou-a na altura de sua pélvis nervosíssima. Izzy já tinha me comido (ou vice-versa, nunca sei ao certo) numa biblioteca pública e me iniciado neste outro fetiche.

Eu queria cair de joelhos e dar em Mira o ‘beijo da vergonha’ mais desavergonhado de todos os tempos. Estava paralisado de tesão. Queria esgotar de vez os últimos milímetros que separavam nossos corpos, fundir-me com ela, e recebi seu incentivo verbal.

- Vá em frente, Profit! Me faça ganhar o dia…

O primeiro beijo sem máscara, sem narração adolescente, real, de verdade, que aconteceu mesmo… só carne na carne, troca de fluídos e impulso recreo-sexual à flor-da-pele.

Fiquei tão desorientado que não sentia mais o chão sob meus pés. Minhas mãos percorreram as costas de Mira de cima a baixo e de novo e outra vez e se fixaram em seus cabelos.

Mira tinha perfume de terra molhada pela chuva depois de um sol escaldante… cheiro de mata atlântica e cachoeira. Sim, a mulher tinha o poder mutante de me tirar o chão, me lançar no vácuo preenchido, tomado por ela, e me empurrar pruma livre associação de idéias que não fazia muito sentido nem pra mim. Ela afastou seu rosto do meu e ainda tinha fome nos olhos e eu, longe de estar saciado, queria saber.

“Que foi isso?” as mulheres adoram caras que não ‘entendem’, sabe?

- Bom, você me salvou daquele robô, herói! Ainda não tinha agradecido. Por outro lado… olhe ao redor. Surpresa!

O cenário tinha mudado radicalmente. Nada de senso histórico neste. Século XXI na veia, melhor, Amsterdam, século XX. Putas maravilhosas exibiam a mercadoria em ruas apinhadas, mulheres anatomicamente perfeitas dançando seminuas, pra cima e pra baixo naqueles postes, sabe, exibindo-se em vitrines amplas como carne no açougue mas nem tanto. Traficantes bem-vestidos trocavam seus produtos por cupons coloridos. Neste lugar, no nível intermediário, descobri depois, as pessoas vinham se divertir. Aqui o governo não tinha um programa ‘fome zero’, mas, isso sim, ‘realidade zero’. O lema no intermédio era ‘toda realidade é passageira’.

Finalmente consegui olhar outra vez pra Mira. Ah, os olhos dessa mulher, a textura inacreditável de sua pele… Mira dourada!

“Cara, não é outro sonho, certo? Eu ia…”

- Eu sei, Lucas. Você já tinha percebido que faltavam meios pra chegar nos níveis superiores e ia perguntar a respeito.

“Você literalmente me tirou do chão, baby!”

- E já tava cheia de te ouvir falando de ‘sonho de voar’. Calei sua boca do jeito mais agradável possível e usei a tecnologia local ao mesmo tempo… aqui o vôo é alimentado por orgones.

Ela me chamou de Lucas, não estávamos no gabarito, me beijou porque quis e eu sabia o que eram orgones! Energia sexual, segundo o maluco do Reich. Bom, não tão maluco assim… e fez isso pra me poupar do susto, da perplexidade e me agradar!

“Uau, você sabe mesmo como cativar um detetive! Alguma chance de…”

- Todas, mas não agora. Tem um negócio que você pode fazer por mim… pra me agradar um pouquinho também, um tipo de compensação.

“É só dizer.”

- Confira sua arma, munição, trava e tal. Alongue-se, faça um aquecimento rápido. A gente deve ter ação por aqui em breve. Dá pra sentir no ar. Não quero que sejamos pegos de surpresa.

Claro… claro? Não fazia sentido! Mas fazia! As pessoas iam ao nível intermediário pra escapar, desafogar as frustrações, fazer catarse. Nada melhor que um pouco da boa e velha ultraviolência regada à bebida e sexo… ou assim o entretenimento de massa pregava. No nível intermediário o melhor e o pior do gênero humano aflorava: instintos primitivos, devaneios absolutos.

Fiz o que Mira pediu do melhor jeito que pude. E ainda bem que o fiz. Quando entramos na casa de intoxicação o tempo já estava fechado e Chuva, mais bêbado e rabugento que nunca, vociferava com os outros clientes.

- Não saio daqui, porra! Tou numa missão! Meu camarada agente chega a qualquer hora!

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