not the end
a história de Lucas, como vocês devem ter notado, não acabou. esclarecimentos sobre seu destino poderão ser encontrados aqui.
as coisas mudam.
be my guest.
a história de Lucas, como vocês devem ter notado, não acabou. esclarecimentos sobre seu destino poderão ser encontrados aqui.
as coisas mudam.
be my guest.
…hoje à noite (ou de madrugada) devo postar a primeira parte do primeiro capítulo de CIDADE, a nova novela de Lucas Profit, ou Bono pros íntimos.
isso porque cheguei num ponto da história em que tudo deve se encaminhar pruma resolução de algum tipo.
fazer a primeira história foi interessante e também um aprendizado. acho que dessa vez consegui evitar pelo menos alguns erros que cometi quando me aproximava do final.
além disso tem o lance de não ter tido pressa de terminar, o que é importante, até porque não terminei, de fato.
o tempo urge. a necessidade de produzir me guia, melhor, guia a ele, e a corrida contra os minutos que se esgotam começa.
uma fresta na janela permite que o ar fresco da noite renove o ambiente.
as pálpebras pesam e atrapalham um pouco sua (minha?) concentração. mas nada que um pouco de persistência não vença. ainda assim, a página em branco é desafio.
sente-se tentado a escrever uma tirada filosófica qualquer e percebe que o que pretendeu fazer, mais ou menos nesta altura do ano anterior, já tinha sido escrito melhor por R.A.W.
refunga como um cavalo.
tenta pensar em outra coisa, talvez recorrer ao clichê do café e dos cigarros, mas já tem outro cara fazendo a mesma coisa melhor em seu próprio blog.
não consegue pretender ser capaz de fazer uma radiografia da alma feminina como leu em algum lugar.
pensar em alma o deixa com sérias dúvidas. talvez sequer tenha uma dele mesmo, por isso prefere o termo psique, mais aberto à interpretação. considera-se portador de uma dessas.
acha que psique pode ser mente.
pensa em mente, pensa e mente.
mentir?
não.
pensar em mente é como um truque de ilusionismo, um espelho que reflete outro ad nauseam.
mente, segundo seus parâmetros mais recentes, pode ser o software que permeia toda a humanidade e, claro, pode ser um campo, uma experiência (uma alucinação?) coletiva.
desistir é mais fácil.
simples assim.
só pare.
não pára.
tem que cumprir a quota diária. pelo menos 500 palavras que, é o que imagina, cabem numa página de caderno universitário quando usa letra de forma pra escrever.
tenta lembrar de algo digno de ser mencionado e que tenha ocorrido dentro das horas despertas desde o início do dia, o fim da madrugada.
várias mulheres desfilam pelo olho de sua imaginação numa seqüência desordenada, sem maiores atrativos que a estética corporal.
mulheres nos meios de transporte, mulheres nas ruas, em ambientes fechados, abertos, que mereceram toda a atenção que foi capaz de reunir nos breves momentos em que se cruzaram.
toma um gole d’água.
checa as guimbas no cinzeiro.
nada de cigarros por causa do outro cara.
nada de alma.
só carne e ossos e pele e cabelos…
sangue em movimento tanto em seu corpo como no delas.
irrigação, lubrificação…
retorno ao animal observador.
olhava pra ela ou além dela através de um rasgo no espaço-tempo que permitia vê-la em todas as fases, de zigoto a comida de vermes, todas imbuídas de poesia, de vida e morte.
concentrar-se pra ver além das marcas da idade, além da postura pensada, além da pele - órgão fascinante - era tão difícil quanto manter-se são na efervescência de vida e conflitos e reconciliações que era respirar e ficar à tona e ficar à toa.
a borda dos olhos pregueada pela incidência, pela insistência da luz que dilatava pupilas, escurecia o humor vítreo.
braço direito tatuado em rosa pela pressão, pelo peso da alça da bolsa.
jeans justos.
camiseta florida em tons de amarelo e marrom, cores recorrentes desde o último sábado e o vestido e a blusinha e os quadris em movimento vertiginoso, outra mulher, outra verdade atemporal.
mantendo-se ereta graças a qual liturgia, a qual magia secreta?, sendo carregada e carregando ao mesmo tempo.
o soalho sob seus pés, barroco e metálico, a nervura de sustentação, o enraizamento em pleno ar.
poesia slow motion.
cabelos presos judiciosamente, células mortas, já mortas, antecipadamente mortas, fios escapando do nó perpetrado por suas mãos.
adornos dourados nos dedos brancos, brancura subindo pelos braços sacudidos pela vibração familiar do motor, consistência testada e aprovada pela força centrífuga das voltas.
querer roçar a pele dela imaculada, inatingível e correr o risco de receber o rótulo.
encaixar, receber o corpo dela no dele.
socialmente inaceitável, sexualmente aprazível.
estímulos visuais trabalhando em conjunto com o movimento involuntário, com a inércia, despertando-o pro que está além do parecer.
olhando na sua direção, esperando que seus olhares se cruzassem, treinando formar com os lábios as palavras certas, na hora e ritmo certos, pra que ela lêsse sua boca como signo, pra que ela "leia minha mente" - as palavras - e caia no vermelho sangüíneo, vital, na ebulição que transcende o aceitável e chama pro coito, como cachorros no cio, guiados pelo cheiro, feromônios, sentidos e instintos.
ele fechou os olhos e ela retribuiu seu olhar, todos os tempos agora, e foi ele quem leu a mente dela e tudo ficou bem afinal.
corpos ansiosos por reafirmarem suas vidas seguiram o único caminho possível.
escrever os bastidores de uma história enquanto vou processando cenas de outra é enriquecedor porque dá a idéia de um movimento contínuo de criação.
tudo se encadeia e uma dá feedback à outra. produtivo.
ainda tentando encontrar o balanço certo pra história do *****. o tom certo. a saída, mais provável, é equilibrar vários gêneros, deixar espaço pra humor, ação, intriga, drama… criar relacionamentos pro personagem deve ficar mais fácil a partir do momento em que eu tiver mais dados a seu respeito, como nome, profissão, idade e outras informações pertinentes. material que talvez não vaze nas tramas mas que deve servir pra me orientar.
o esforço consciente de produzir histórias é melhor que a inatividade.
e é assim que as coisas funcionam no mundo real, certo? ninguém espera pela inspiração. muito mais simples, cria e continua criando até ter material bom o bastante pra consolidar o próprio nome como escritor.
começando a ter balas na agulha o bastante pra soltar uns textos um pouco mais complexos aqui do que o de costume.
me falta o saco de digitar tudo.
me sobra o medo de encher o dos outros com uma avalanche de lugares-comum.
mas vá lá.
vou tentar fazer uma seleção dentro do material recente e editar um tantinho pra não ferir demais a sensibilidade dos outros.
(como se eu me importasse. é foda ser hipócrita. quem não é hipócrita? se me importasse mesmo recomendaria a leitura de autores consagrados e pararia de vez com minha fantasia masturbatória de ser escritor.)
fim da transmissão.
o ato falho é proposital.
Ok, então.
Como não tenho tido tempo de me dedicar como gostaria à IMITAÇÃO e ainda tenho a impressão de estar ligado à MARRETA, nada mais normal que atualizar o índice da dita cuja com ajuda do colaborador de sempre.
O INDEX agora tem links pra todos os capítulos e, é claro, pra narrativa esquisita de Lúcio em ESCALDADO NO FOGO DO INFERNO.
A idéia a partir de agora é finalizar o posfácio ( o Massula já escreveu seu frontispício) e tentar publicar a novelinha como um livro virtual pra muito em breve.
Enquanto isso não acontece, clique no link ao lado e leia os capítulos separados, mesmo.
…que eu esqueça de dizer, MARRETA é uma colaboração, a partir do cap. 2, com o excelente Marcio Massula Jr. estamos fazendo assim porque já vimos funcionar em outras ocasiões com outros escritores.
acho que dá pra perceber sem muito esforço o processo todo. o Massula escreveu o 2º sozinho e me mandou. repassei tudo, desde os diálogos até a narração de modo a tornar os estilos dos dois capítulos consistentes.
já tivemos mais algumas idéias sobre as quais estamos trabalhando, mas é claro que se trata de uma história detetivesca com tudo que as histórias do gênero têm de bom ou de ruim.
se quiser conferir o material solo do Massula vá ao blog dele.
as noções que tenho de como continuar uma história variam de segundo a segundo. alternativas infinitas em direção ao passado, ao futuro, ou, ao menos ousado, a linearidade do presente.
claro, nos quadrinhos fica óbvio que o tempo cronológico é uma ilusão. trata-se de um objeto único que se subdivide de modo a conter signos que desenvolvem e narram progressivamente (nem sempre) uma história.
acabada a leitura, ou durante ela, pode-se fazer as páginas voltarem ao seu estado original de repouso, fechar-se a revista ou retroceder até determinado ponto da história e, presto!, tudo é passível de repetição.
como em O FEITIÇO DO TEMPO, em que uma seqüência de eventos vai se repetindo até que o leitor (ou o personagem que vivencia as repetições) passe a interferir na narrativa, mudando-a conforme mudanças vão se promovendo em sua própria personalidade.
não é assim com a leitura e releitura de histórias que marcaram momentos em nossas vidas? quando mais maduros retornamos aos mundos fabulares da infância e descobrimos que o encanto original da inocência se perdeu ou descobrimos que aquele livro que nos pareceu uma aventura inconseqüente tinha mais camadas, mais nuances e significados a serem explorados para além de nossa capacidade na época?
um pouco de autobiografia pode justificar minha atual obsessão com personagens heróicos que se utilizem de artes marciais pra, sacumé?, fazer o bem.
o primeiro gibi que li era uma daquelas edições em formatinho da EBAL, versão nacional da hq norte-americana RICHARD DRAGON, MASTER OF KUNG FU, ou coisa que o valha. uma pesquisa rápida no google poderia me dar o título com certeza, mas tô macunaímesco hoje.
assim, este foi mesmo o primeiro gibi que li, há muitos e muitos anos atrás, "emprestado" da caixa que meu irmão mantinha escondida em cima de um dos armários da casa.
anos depois, reencontrei o mesmo sr. dragon nas hqs do QUESTÃO, publicado nas primeiras edições do segundo volume de batman da abril. por algum motivo que eu ignorava, o homem estava numa cadeira de rodas mas, ainda assim foi capaz de treinar victor sage a ponto de este se tornar um lutador mais competente e menos propenso a ser morto em combate.
muito tempo depois esbarrei em outro "super-herói" (desculpem o termo) marcial ruivo que foi (que é também serviria) um personagem que eu gostaria de ter criado: THE BADGER. adorava o fato de ele chamar todo mundo de larry, ser um lutador exímio, ter múltipla personalidade e ser um defensor dos direitos dos animais. quando o vi na banca pela primeira vez pensei que se tratava de só mais uma imitação do wolverine, mas ele é muito mais legal.
então, aqui estou eu tentando equilibrar três pratos de uma vez: escrever VOZ em prosa, começar a martelar os roteiros de LABIRINTO e criar esse personagem marcial sem destino, sem lei e sem alma. é uma vontade bem gratuita, admito e tem a ver com uma das lembranças mais ternas da minha infância.
ainda hoje consigo lembrar de uma das falas de dragon, escrita pelo mesmo o´neil que reformulou o questão pros anos 80: "a dor é minha irmã!"
eu tinha seis anos de idade.
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